
A campanha Dê a Mão para o futuro — Reciclagem, Trabalho e Renda tem meta de ampliar em 20% a coleta seletiva no município. Hoje é coletada uma média de 240 toneladas de lixo reciclável, segundo a Sedema (Secretaria Municipal de Defesa do Meio Ambiente).
Este total representa 2,5% de todo resíduo recolhido de Piracicaba, aproximadamente 9.500 toneladas/mês.
Se incorporada a meta da campanha, portanto, a cidade passaria a recolher 288 toneladas de lixo mensalmente.
A campanha é realizada em âmbito estadual e, no município, pela Pasta, empresa Ambiental e cooperativa Reciclador Solidário.
“Órgãos como o IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística) estimam que em torno de 30% do lixo é potencialmente reciclável (o que daria cerca de 2.800 toneladas/mês). Com a campanha, trabalhamos para aumentar o percentual hoje coletado, o que depende de ações conjuntas, especialmente envolvendo a população”, disse o analista ambiental da Pasta, Bruno Delarole.
Se levado em conta o total potencialmente reciclável e o que é comercializado hoje de material reciclável, cerca de 160 toneladas/mês, a coleta seletiva corresponde então a 6%, segundo Delarole.
“Isso pode ser ainda maior levando-se em conta que há muitas pessoas que recolhem os materiais de forma autônoma, o que não é possível contabilizar. É importante lembrar que já atendemos 100% dos bairros da cidade”, afirmou.
O secretário Rogério Vidal disse que o percentual reciclado saltará para próximo de 100%, assim que a usina de tratamento de resíduos, construída na divisa com Iracemápolis, estiver funcionando. “Com ela, o que não for recolhido porta a porta será reaproveitado. Estamos, agora, na fase de licenciamento para sua operação.”
A campanha consiste na distribuição de folders e imãs de geladeira, com os dias da semana e período em que há a coleta seletiva, além de informar a população sobre a importância de contribuir com a coleta.
Integrantes do Reciclador Solidário e Ambiental passam nas casas fazendo a entrega dos materiais. Nesta semana, os bairros atendidos foram São Judas, São Dimas, Cidade Jardim e proximidades do Clube de Campo, além do Monte Alegre e Areão.
Serão, ao todo, 12 semanas de campanha, sendo duas este ano e outras 10 em 2015.
“A próxima região a ser atendida deverá ser a de Santa Teresinha (a partir desta segunda-feira 27/10). Estes primeiros bairros foram um teste para nós”, afirmou Delarole.
Independente da campanha, a coleta segue normalmente nos bairros, conforme o cronograma já estabelecido pela Sedema.
Segundo Vidal, a iniciativa se soma a um conjunto de atividades já realizadas no município, como no NEA (Núcleo de Educação Ambiental), por exemplo.
“E podem estimular outras, promovidas por instituições, ONGs (Organizações Não Governamentais), associações e órgãos públicos, que, se aprovadas, podem receber recursos da Ares PCJ (Agência Reguladora do Consórcio das Bacias dos rios Piracicaba, Capivari e Jundiaí)”, disse.
A campanha, que começou em 2006 em Santa Catarina por iniciativa da Abihpec (Associação Brasileira da Indústria de Higiene Pessoal, Perfumaria e Cosméticos), conta com o apoio de outras entidades como Abipla (Associação Brasileira das Indústrias de Produtos de Limpeza e Afins) e da Abima (Associação Brasileira das Indústrias de Massas Alimentícias e Pão & Bolo Industrializados).
A dona de casa Junes Barbosa, 59, moradora do São Dimas, foi uma das que recebeu o panfleto da campanha.
Segundo ela, o informativo possibilita maior conhecimento da coleta. “Hoje eu separo garrafas pet e deixo na rua para recolher, mas é bom a gente se informar. O óleo de cozinha levo na igreja”, disse. O óleo também pode ser recolhido.
COMERCIALIZAÇÃO – A coleta seletiva é feita pela Ambiental e o material recolhido é levado ao Reciclador Solidário, localizado no bairro Ondinhas e que possui convênio com a Sedema.
“Lá a gente faz o processo de triagem. Eles jogam na esteira e a gente separa o que é garrafa pet, papel, plástico etc. Vendemos e no final do mês o valor arrecadado é distribuído para os 48 cooperados”, afirmou a fiscal da cooperativa, Roselaine Félix.
Ainda de acordo com Roselaine, para as 160 toneladas de material vendido, são buscados os compradores, até de fora da cidade, que oferecem maior preço.
“O papelão a gente vendia por R$ 0,34 e agora por R$ 0,29 ou R$ 0,23. Procuramos quem paga mais, porque os centavos fazem diferença”, disse.
Por meio do convênio com a Abihpec e também devido a realização da campanha, a cooperativa recebeu investimento equivalente a R$ 120 mil. “Ganhamos uma empilhadeira, uma prensa horizontal e uma balança digital, que facilitaram muito nosso trabalho”, disse Roselaine.
Segundo ela, a população poderia ajudar mais auxiliando na separação dos materiais. “Se as pessoas não misturassem os materiais recicláveis com papel de banheiro e lavassem as embalagens já nos ajudaria muito”, disse. A cooperativa iniciou recentemente o recolhimento de isopor.














