
Pode chegar a até 30 minutos o tempo médio levado pelos motoristas para encontrar uma vaga para estacionar no Centro de Piracicaba.
A dificuldade para parar o carro é maior nos horários de pico do comércio, como próximo das 12h. Com a abertura das lojas à noite, a dificuldade também é verificada.
O Jornal de Piracicaba saiu às ruas na semana passada com o objetivo de cronometrar o tempo gasto para encontrar uma vaga para estacionar na região central. A ideia foi parar o carro, no máximo, a duas quadras de supostos destinos.
Em uma das tentativas, na terça feira (09/12), a vaga só foi encontrada após quase 15 minutos. Já em outros trechos (ruas do Rosário, Boa Morte, XV de Novembro e Dom Pedro I), a demora foi entre 10 e 20 minutos.
Já no sábado (13/12), a situação foi pior. Por ser sábado e estar um dia chuvoso, o tempo que a reportagem demorou para estacionar na rua Governador Pedro de Toledo foi de pelo menos 30 minutos.
Apesar das 3.346 vagas disponíveis, encontrar um espaço para estacionar requer paciência e sorte. Motoristas questionam a rotatividade proporcionada pela Zona Azul.
O vigilante José Hélio Fernandes, morador do Centro, disse que o tempo máximo de estacionamento, fixado atualmente em duas horas, deveria ser reduzido.
“Hoje quem vem ao Centro paga R$ 2 e fica duas horas parado. Quando o prazo está quase vencendo, é possível emitir outro tíquete para mais duas horas de estacionamento. Acho que este prazo máximo deveria ser de uma hora, sem possibilidade de renovação”, afirmou.
Marco Antônio Faria, morador do São Dimas, disse ter encontrado muita dificuldade para parar o carro na região do Mercado Municipal.
“Até encontrar uma vaga dei pelo menos seis voltas no quarteirão. Como o trânsito é muito lento, eu calculo que o carro consumiu mais gasolina só para procurar a vaga do que no trajeto de casa até o Centro”, relatou.
Ciente da dificuldade para estacionar o carro na região central, a vendedora Anelise Souza disse que optou por deixar o carro em casa e agora se locomove de bicicleta.
“Depois de um dia ficar meia hora procurando por uma vaga, desisti de vir ao Centro de carro. A bicicleta eu estaciono em qualquer lugar sem me preocupar se o cartão da Zona Azul vai vencer. As pessoas se tornaram dependentes de seus veículos e se negam a caminhar por alguns quarteirões. Resultado disso é o caos no trânsito”, disse.
ESPECIALISTA — De acordo com o especialista em trânsito José Almeida Sobrinho, a falta de vagas se deve ao aumento na quantidade de veículos circulando, somada à estagnação na criação de novos espaços.
“Uma das soluções seria proibir a renovação do cartão de estacionamento, além de estabelecer uma redução do período máximo de cada parada.”, afirmou.
Outro recurso seria a criação de estacionamentos verticais, apontou Sobrinho.
“São prédios que gerariam novas vagas, mas esta seria uma solução paliativa porque com o passar do tempo, também se tornariam insuficientes. O ideal mesmo é educar o motorista e aumentar a eficiência do sistema de transporte público. Com isso, as pessoas deixariam o carro em casa e utilizariam o ônibus, solucionando diversos problemas viários”, afirmou.
De acordo com Jorge Akira, secretário de Trânsito e Transportes, a dificuldade relatada pelos motoristas é fruto do aumento do fluxo de pessoas que vão ao Centro para as compras de Natal.
“Em dezembro é sempre mais complicado encontrar vaga para estacionar porque esta região concentra um dos principais corredores comerciais da cidade. Passadas as festividades, a situação tende a normalizar”, afirmou.














