carne

A carne bovina tem pressionado o orçamento dos piracicabanos ao longo dos últimos meses.

Dos cortes mais nobres aos de segunda, todos tiveram reajustes e estão em média 30% mais caros neste mês de janeiro em relação ao mesmo período do ano passado.

A expectativa dos varejistas, no entanto, é de que os preços se estabilizem.

Segundo a comerciante Débora Ubisses Puga, no caso de carnes de primeira, como a picanha, o filé mignon e a alcatra, os índices de aumento para o consumidor variaram de 28% a 38%.

Já nos cortes de segunda, como coxão duro e acém, altas foram de 30%.

No caso do miolo de alcatra, considerado carne de primeira, o quilo foi de R$ 26,90 em janeiro do ano passado para R$ 34,90 atualmente.

O miolo do acém, corte de segunda, passou de R$ 11,90 por quilo para R$ 15,90 no mesmo intervalo comparativo.

Além das interferências da inflação e da estiagem, que puxaram as altas sequentes, o percentual de aumento dos cortes também varia conforme a procura do consumidor, explica a comerciante.

“É comum que os açougues adquiram um quarto traseiro bovino inteiro, por exemplo, e, por isso, a venda dos cortes tem de ser feita por igual. Ou seja, os tipos de carne que têm menos saída podem até ser colocados em promoção ou serem mais baratos, ficando mais atrativos para o consumidor. Isso varia de cidade para cidade”, informou.

Débora lembra que, sempre após o Natal, é comum que os preços sofram redução devido à uma retração no consumo, que é natural e esperada para os primeiros meses do ano.

Com isso, ela aposta em uma queda de até 8% nos preços dos cortes mais consumidos.

O comerciante Leonardo Angeleli cita que, mesmo com as altas nos preços, o consumidor não tem mudado o perfil de compras.

“As carnes subiram de forma geral ao longo do ano passado, mas o consumidor não tem levado menos ou substituído muito, as vendas continuam similares”, afirmou.

Quem vai às compras reconhece a majoração, mas diz que os preços estão altos de forma geral.

“Não sou de comprar muita carne, é mais quando vou fazer um churrasco e, neste caso, não costumo comprar menos ou trocar o tipo de carne. Mantenho a compra independente do custo”, disse o vendedor Felipe Bueno.

A personal trainer Érika Spiller também não altera o cardápio devido aos preços.

“Compro pouca quantidade e por isso mantenho o consumo.”

CEPEA — A boa notícia para o consumidor é que, após a sequência de altas, os preços da carne bovina estão em queda, informou o Cepea (Centro de Estudos Avançados em Economia).

Na parcial do mês (até o dia 26), os cortes traseiro e ponta de agulha registraram queda de 5,8% e 4,2% respectivamente.

Os cortes dianteiros, por sua vez, acumularam variação negativa em 0,2% — considerando o atacado.

Apesar dessa retração, os preços ainda estão acima dos praticados no mesmo período de 2014, confirmou o centro de estudos.

No caso do corte dianteiro e ponta de agulha, a alta é de 30% e 33,6% respectivamente.

No caso do corte traseiro, a majoração fica em 18%.

O principal fator de aumento da carne foi a menor oferta de gado, resultado da seca que atingiu diversas regiões produtoras brasileiras.

FONTE: Jornal de Piracicaba