A Caterpillar Brasil deve cortar, até o final de abril, entre 300 e 350 postos de trabalho em Piracicaba.

A empresa já negociou com o Sindicato dos Metalúrgicos as medidas para ajustar seu volume de produção à demanda atual e dispensou, segundo a entidade representativa dos trabalhadores, 124 funcionários no decorrer de fevereiro.

Segundo o presidente em exercício do Sindicato dos Metalúrgicos, José Florêncio da Silva, o Bahia, as demissões são decorrentes da diminuição dos pedidos atendidos pela fábrica, o que a obriga a reduzir custos e, consequentemente, efetuar dispensas.

A situação é um reflexo da retração econômica pela qual passa o país, ressaltou o sindicalista.

Ele cita que a entidade foi procurada pela empresa no fim de janeiro e, desde então, foi negociado um pacote para minimizar a situação dos trabalhadores dispensados.

Conforme o sindicato, os funcionários desligados receberão, além das verbas rescisórias, dois salários nominais, seis meses de convênio e um vale-compras no valor de R$ 1.000.

“É uma situação triste, pois a notícia de desemprego é sempre ruim, tanto para os trabalhadores quanto para a cidade. A previsão é de que sejam dispensados entre 300 e 350 profissionais, mas ainda existe uma luz no fim do túnel, pois há possibilidade de que produtos novos passem a ser fabricados aqui e, talvez, com isso, as demissões sejam suspensas”, afirmou Bahia.

De acordo com ele, o sindicato espera que, caso isso ocorra, seja feito um layoff — espécie de suspensão por tempo determinado dos contratos — ou um banco de horas.

“No entanto, nada foi confirmado ainda”, disse.

Conforme a entidade, as primeiras dispensas dos profissionais ocorreram entre os dias 10 e 13 de fevereiro, com 124 homologações no total.

Bahia lembrou que, além da Caterpillar, outras empresas do setor metal-mecânico estão em situação de dificuldade e efetuando dispensas em Piracicaba, porém, como a CAT é uma das maiores, as dispensas têm grande impacto na economia local.

No ano passado, a empresa já havia dispensado cerca de 700 trabalhadores.

Apesar de não citar números, a Caterpillar Brasil informou, em nota, que “negociou com o Sindicato dos Metalúrgicos de Piracicaba medidas para ajustar seu volume de produção à demanda atual”.

Reforçou ainda que “o setor de máquinas rodoviárias, no qual a empresa atua, sofreu uma queda de 22% em 2014 e análises de mercado e informações obtidas da rede de revendedores prevêem uma estagnação do mercado nacional e queda nos volumes de exportação para os mercados mais tradicionais. Neste momento, a Caterpillar trabalha no sentido de buscar novos mercados de exportação e outras medidas para preservar ao máximo a força de trabalho e trazer o menor impacto social para a cidade.”

A CAT é líder mundial na fabricação de equipamentos de construção e mineração, motores a gás natural e diesel, turbinas industriais e locomotivas elétricas a diesel, com mais de 300 produtos em sua linha e presença global em mais de 180 países.

FONTE: G1 Piracicaba