A partir de abril, a prefeitura dará início a um projeto para combater o mosquito transmissor da dengue e da chikungunya por meio da liberação no ambiente de Aedes aegypti transgênicos, ou seja, modificados geneticamente.
A ideia é diminuir a população de insetos adultos fazendo com que seus descendentes morram ainda na fase de larva.
O projeto-piloto será realizado no Cecap, bairro onde foi registrada a maior parte dos casos este ano — até segunda-feira (2/02), a cidade contava com 88 casos de dengue confirmados, sendo 17 no Cecap.
O mosquito transgênico é produzido pelo laboratório Oxitec e o projeto foi intitulado Aedes aegypti do Bem.
Segundo o laboratório, os genes inseridos no mosquito não são nocivos.
O valor do investimento neste projeto-piloto é de R$ 150 mil e o contrato com a prefeitura tem validade de um ano.
Segundo a Oxitec, três bairros nas cidades de Juazeiro e Jacobina, na Bahia, já foram tratados com o mosquito transgênico e, em todos eles, a diminuição na quantidade de Aedes aegypti selvagens foi de mais de 90% após um ano do início da liberação dos mosquitos.
Segundo o diretor global de desenvolvimento de negócios e responsável pela Oxitec do Brasil, Glen Slade, serão liberados entre um milhão e dois milhões de mosquitos transgênicos neste projeto-piloto em Piracicaba.
“Estamos convencidos de que a nossa tecnologia irá virar o jogo na luta contra a dengue”, disse.
Gerente do projeto Aedes aegypti do Bem, Guilherme Trivellato informou que a primeira liberação de mosquitos transgênicos está prevista para abril, no Cecap, em área de aproximadamente 50 hectares.
A expectativa é que, após quatro a seis meses depois da primeira liberação, o nível da população do mosquito na área tratada já tenha caído significativamente em relação às áreas não tratadas.
“Serão feitas cerca de três liberações por semana. Pode variar de 100 a 200 mosquitos por habitante por semana. Este gene inserido ataca somente o Aedes, não atinge qualquer outro organismo.”
A tecnologia funciona da seguinte maneira: os Aedes aegypti machos são tratados em laboratório e neles, são inseridos genes incapazes de produzir descendentes viáveis ao copularem com fêmeas selvagens.
No campo, os machos transgênicos cruzam com as fêmeas selvagens, gerando descendentes que morrem antes de chegar à fase adulta, diminuindo, portanto, a população de insetos adultos.
“Este mosquito transgênico vive de dois a quatro dias e esta tecnologia é uma evolução da TIE (Técnica do Inseto Estéril) que é utilizada há mais de 50 anos. Mas diferente da TIE, não usamos radiação no processo.”
ANÁLISE — Em laboratório, ovos do inseto recebem uma microinjeção de DNA com dois genes: um para produzir uma proteína que impede seus descendentes (machos ou fêmeas) de chegarem à fase adulta na natureza e outro para identificá-los ao microscópio sob uma luz específica.
Após a criação da linhagem, os insetos se reproduzem naturalmente em laboratório gerando descendentes que carregam os genes.
O monitoramento da supressão do Aedes aegypti selvagem é realizado mediante o uso de armadilhas para ovos de mosquitos.
Com base na análise da fluorescência das larvas, é possível saber qual porcentagem de ovos são descendentes dos machos do mosquito transgênico.
Assim sua taxa de liberação pode ser ajustada, se necessário.
INFORMAÇÃO — Com o objetivo de informar a população sobre o projeto, foi instalado um estande no bairro Cecap, em frente ao supermercado Delta, em que técnicos da Oxitec explicam como funciona a técnica.
Agentes do PSF (Programa de Saúde da Família) também irão informar a população.
Segundo o prefeito Gabriel Ferrato (PSDB), caso o projeto se mostre positivo, os custos para tal implementação serão avaliados.
“Se der resultado, vamos avaliar o quanto gastamos por ano no combate à dengue, que são cerca de R$ 6 milhões, e de quanto gastaríamos nesta nova abordagem”, afirmou.
“Como homens públicos, temos compromisso de testar alternativas de enfrentamento contra a dengue. Esta tecnologia envolve segurança e não tem nenhum efeito nocivo para a população.”















