small_20150304-02-01A Emdhap (Empresa Municipal de Desenvolvimento Habitacional de Piracicaba) gastará cerca de R$ 1,2 milhão para realizar trabalho técnico social de pós-ocupação às famílias que residem nos conjuntos habitacionais Piracicaba 1, 2 e 3, na região do bairro Vila Sônia. Ao todo são 1.136 apartamentos.

A autarquia abriu licitação para contratar empresa que preste o serviço visando “integrar” socialmente os moradores.

Pelo edital, para cada condomínio há estimativa de custo, com a contratação, de R$ 408 mil.

Segundo a procuradora jurídica da Emdhap Silvani Lopes de Campos, a contratação atende exigência do Ministério das Cidades para o programa Minha Casa Minha Vida — por meio do qual foram contempladas as famílias de faixa 1, com renda mensal de até R$ 1.600 —.

A empresa fará o acompanhamento, por 12 meses, e explicará como funcionam as regras, o trabalho do síndico e como fazer a gestão do condomínio.

“Eles não estão acostumados a viver em condomínio, então é uma forma de integrá-los”, afirmou.

Uma mesma empresa pode ganhar as três licitações, desde que tenha equipe suficiente para o trabalho.

Moradores do Piracicaba 1 receberam as chaves no mês de agosto (dos demais, foram entregues em 2013) e desde que que se mudaram, conforme relataram ao Jornal de Piracicaba, percebem dificuldades para adaptação no novo local.

Síndica do condomínio, Elisângela Calegari afirmou que muitos dos problemas são relacionados a barulho, animais e lixo.

“O pessoal não está acostumado a levar o lixo na portaria e aqui não tem quintal. Também tem aqueles que ficam ouvindo som alto e atrapalha o vizinho de cima ou de baixo”, disse.

A subsíndica Vanessa Beira disse que acha importantes e necessárias as orientações.“Muitos não tem noção de convivência, então precisam se conscientizar.”

Zelador e também subsíndico, Ivan Soares Lima pagava aluguel no Santa Fé e ganhou o apartamento para morar com a esposa e cinco filhos.

Ele ressaltou que muitas mães não instruem os filhos quanto às regras do condomínio.

“A orientação vai ajudar, porque elas deixam as crianças brincando depois das 22h, fazendo barulho na janela dos outros. Aqui é diferente de onde moravam”, relatou.

Para Mariana Ferreira, que tem dois filhos de 4 e 2 anos e morava na Portelinha, ganhar o apartamento melhorou sua qualidade de vida, embora tenha sentido dificuldade para a convivência em condomínio.

“Agora é algo que é da gente, mas é difícil porque nem todo mundo conversa com você.”

Também ex-moradora da Portelinha, Regiane dos Santos afirmou que as reuniões condominiais pré-ocupação foram boas, mas nem todos participavam.

“Tem gente que deixa o animal fazer as necessidades no hall. Acho que as orientações podem ajudar, porque nem todo mundo pensa com a gente.”

ATRIBUIÇÕES — Ao longo do contrato, as empresas deverão contar com equipe técnica de assistentes sociais e estagiários (de assistente social ou psicologia), que se dividirão entre coordenadores, executores e apoiadores dos serviços.

As contratadas oferecerão ainda capacitação do grupo diretivo (dos condomínios); oficinas de educação ambiental e financeira; workshop alimentação saudável; transporte para visitas e passeios ecológicos ou atividades socioculturais (visitas orientadas); assessoria administrativa, contábil e jurídica ao grupo diretivo, de gestão condominial; monitor para oficina de métodos contraceptivos; monitor para aulas de expressão corporal e cursos de geração de trabalho e renda.

Também, conforme o edital, a empresa se responsabilizará pelo oferecimento de atividades culturais, locação de telão, brinquedos, filmes, algodão doce, pipoqueiro e telão em reuniões e atividades socioculturais, além de material didático, como cartilha informativa de gestão condominial e dos cursos de geração de renda.

As propostas do certame devemser avaliadas no dia 19/03 (quinta-feira).

Jornal de Piracicaba