
Sem acordo, a greve dos coletores de lixo de Piracicaba entra nesta terça-feira (31/03) no quinto dia e os reflexos da paralisação já podem ser observados em diversos bairros.
Desde sexta-feira, aproximadamente 230 toneladas de lixo deixaram de ser coletadas.
Nesta segunda-feira (30/03), o JPpercorreu algumas regiões da cidade e encontrou grande quantidade de resíduos no Centro, Algodoal, Piracicamirim e Jardim Pacaembú.
Por dia, deixam de ser coletadas 75 toneladas de lixo, volume correspondente a 30% das 250 toneladas do lixo produzido diariamente pela população.
Para o Siemaco (Sindicato dos Trabalhadores da Limpeza Urbana), o acumulo de lixo é uma situação normal.
“É exatamente este o objetivo da greve, mostrar a importância do serviço para exigir o devido reconhecimento aos coletores. Somado a isso, segundas e terças-feiras são os dias com maior volume de lixo. Assim, é natural que no começo da semana haja um aumento significativo na quantidade de resíduos que deixam de ser coletados”, disse Amauri Alves, presidente do sindicato.
De acordo com a prefeitura, houve coleta no domingo nas principais avenidas e região central.
Segunda, trabalharam 11 dos 16 caminhões disponíveis para o serviço e outros cinco que atuam na coleta seletiva.
Ainda segundo a prefeitura, estão sendo enviados diariamente à Ares PCJ (Agência Reguladora dos Serviços de Saneamento das Bacias dos Rios Piracicaba, Capivari e Jundiaí) os dados referentes a quantidade de lixo recolhido e assim pode ser verificado o cumprimento da liminar que exige que 70% dos coletores permaneçam trabalhando.
Consultada, a Ares PCJ citou ter a incumbência de fiscalizar o cumprimento do contrato entre a prefeitura e a Piracicaba Ambiental e que os dados encaminhados pelo Executivo são analisados com o objetivo de verificar se há prejuízos na qualidade da prestação.
Caso sejam constatadas irregularidades, a agência notifica a empresa para que sejam cumpridas as obrigações contratuais.
De acordo com a nota, cabe às partes envolvidas (sindicato e empresa) o cumprimento das obrigações referentes à disputa judicial.
ROTINA DA GREVE — Um coletor ouvido pelo JP, que não quis se identificar, informou como funciona a distribuição das equipes de coleta durante a greve.
“Geralmente os caminhões passam três vezes por semana em cada setor, mas com a greve, a coleta só acontece duas vezes. Por recomendação do sindicato, nós (coletores) temos que bater o ponto diariamente na empresa. Quem já trabalhou na véspera é liberado e aqueles que descansaram fazem o serviço do dia”, afirmou o trabalhador.
A dona de casa Cacilda de Lima, 66, moradora do Algodoal, reconheceu as dificuldades dos coletores, mas reclamou do lixo acumulado nas ruas.
“Não é para qualquer um serviço que esse pessoal faz, correndo atrás do caminhão. Eles ganham muito pouco e merecem mais, o problema é que se eles param, a cidade fica na sujeira”, disse.
Acontece nesta terça-feira a terceira reunião no TRT (Tribunal Regional do Trabalho), onde o sindicato patronal e os trabalhadores tentarão pôr fim à paralisação.
SUJEIRA – Além do lixo acumulado pelas ruas, a greve dos coletores também evidencia o mau comportamento de alguns moradores, que, para se livrarem do lixo doméstico, jogam os sacos em locais inadequados.
O JP circulou por alguns bairros e constatou lixo jogado em rotatórias, áreas públicas, viadutos e até na calçada de uma escola no Vila Sônia.
Na rua Visconde do Rio Branco, no bairro Higienópolis, moradores passaram a deixar sacos de lixo na calçada de um prédio abandonado.
O acúmulo de lixo no local chamou a atenção de vizinhos, que reclamam da situação.
“As pessoas fazem isso para não ficar com lixo acumulado em frente das suas casas. Quer dizer que na casa deles não pode, mas na nossa pode?”, questionou a dona de casa Erica Vilma Fernino.
Ela conta que o prédio abandonado já causa vários problemas para o bairro.
“Duas vizinhas pegaram dengue, pois este prédio está cheio de criadouros de mosquito. Agora somos obrigados a aguentar o cheiro deste lixo todo”, disse.
Perto dali foi possível visualizar a mesma situação em outros dois pontos: em uma rotatória localizada na avenida Dr. Paulo de Moraes e sob o viaduto que corta a avenida 31 de Março.
“É uma falta de respeito das pessoas que fazem isso. Eles não pensam nos outros”, afirmou a dona de casa Inês Cardoso.
No Vila Sônia, moradores vizinhos da Escola Estadual Professora Maria de Lourdes Silveira Consentino também passaram a colocar o lixo doméstico sobre a calçada que contorna a escola, obrigando os alunos a caminharem entre o lixo.














