small_2015-04-12-0003-01As quatro UPAs (Unidades de Pronto Atendimento) de Piracicaba — Vila Sônia, Piracicamirim, Vila Cristina e Vila Rezende — registraram um aumento de 30,5% no número de consultas médicas realizadas em março quando comparado o mesmo período em 2014.

Em março do ano passado, foram 44.138 consultas e, este ano, 58.383.

A Secretaria Municipal de Saúde avalia que o crescimento registrado no mês passado foi causado devido aos casos de dengue, já que 57% das notificações da doença este ano — 1.174 — ocorreram no mês passado.

O balanço mais recente da Pasta indica que foram confirmados no município, este ano, 523 casos da doença e 2.059 notificações.

“Não houve nenhum outro fator em março para que ocorresse o aumento das consultas, a não ser o período de reprodução do mosquito da dengue antecipado. É uma análise técnica que fizemos, baseada em gráficos”, disse o secretário municipal de Saúde, Pedro Mello.

A secretaria informou que, apesar do aumento nos atendimentos, os números estão dentro da faixa estabelecida pelo Ministério da Saúde, que preconiza um máximo de quatro atendimentos por hora para cada médico plantonista.

As UPAs Piracicamirim e Vila Cristina foram as que apresentaram o maior aumento no número de consultas, com índices de 39,6% e 29,4%, respectivamente.

Dados da secretaria apontam que, no Piracicamirim, foram 3,5 consultas/hora por plantonista este ano sendo que no mesmo período do ano passado eram 2,5 consultas/hora.

Já na Vila Cristina, os números saltaram de 2,6 consultas/horas para 3,4 consultas/hora.

O crescimento foi significativo também na Vila Sônia (25,9% — 2,3 para 2,9 consultas/hora) e Vila Rezende (23,9% — 3,2 para 3,9 consultas/hora).

O gráfico da dengue feito pela secretaria este ano sugere que o pico da doença foi antecipado e ocorreu em março.

Segundo a Pasta, este cenário só poderá ser confirmado na primeira semana de junho, já que doenças de notificação compulsória, como a dengue, levam 60 dias para serem concluídas.

Segundo o secretário, com o clima mais ameno, o número de casos de dengue deve diminuir.

“Nos parece que o ciclo do mosquito está caindo, mas não podemos baixar a guarda, Temos que continuar com o bloqueio químico, nebulização e busca por casos. A população tem que continuar fazendo sua parte. Ainda não temos de forma clara o que aconteceu com o mosquito e por isso não podemos baixar a guarda”, disse Pedro Mello.

O secretário ainda avaliou que Piracicaba, está em uma situação confortável em relação às cidades da região quanto ao número de casos de dengue.

“Se houver indicações de que houve aumento da doença nos próximos meses, vamos ter que equalizar a situação e tomar medidas estratégias”, disse o secretário.

A Pasta informou que medidas como ampliação no número de médicos nas unidades e ainda a extensão do horário em alguns CRABs (Centro de Referência em Atenção Básica) são estudadas.

Até o momento, Piracicaba tem 523 casos confirmados de dengue e 2.059 notificações — no mesmo período de 2014, eram 143 casos confirmados e 484 notificações.

HOSPITAIS TAMBÉM TIVERAM AUMENTO – Assim como nas UPAs, os pronto socorros dos hospitais da cidade também registraram aumento no atendimento de casos suspeitos de dengue.

No Hospital da Unimed foi registrado um acréscimo de até 41% nas notificações.

Na Santa Casa, os casos suspeitos de dengue em março foram cinco vezes superior aos de janeiro.

Entre os meses de fevereiro e março de 2015, o Pronto Atendimento Adulto da Unimed registrou um aumento de 35,5% nos atendimentos a pacientes com suspeita de dengue, enquanto que no Pronto Atendimento da Criança houve um avanço de 41,12% no mesmo período.

Em fevereiro, o PAA da Unimed registrou 6.596 atendimentos enquanto que em março, 8.872 pessoas procuraram o serviço com suspeita de dengue.

Diante do avanço, o hospital aumentou o número de médicos plantonistas, ampliou a quantidade de profissionais no atendimento de porta, priorizou casos suspeitos em classificação de risco e intensificou o fluxo de orientação à população no serviço Unimed Medicina Preventiva.

O protocolo de atendimento inclui realização de avaliação clínica, exames específicos e monitoramento dos casos com retorno em período específico pós início dos sintomas.

De acordo com Liana Coelho, enfermeira membro da CCIH (Comissão de Controle de Infecção Hospitalar) da Santa Casa, de janeiro a março foi constatado um aumento de cinco vezes nos atendimentos de pacientes com suspeita de dengue.

“Enquanto que no primeiro mês do ano emitimos 11 notificações da doença, em março foram 60. Desde o começo do ano foram 92 casos confirmados, nove descartados e alguns permanecem em análise. Até o momento não houve óbito. Temos apostado no treinamento da equipe, na orientação sobre o protocolo de atendimento do Ministério da Saúde em casos de dengue e na importância da notificação compulsória dos casos”, afirmou Liana.

O HFC (Hospital dos Fornecedores de Cana) não enviou resposta até o fechamento desta matéria.

Jornal de Piracicaba