Os noticiários não param de divulgar casos e mais casos de dengue em São Paulo. Algumas cidades já declararam estado de alerta; outras, como Sorocaba, já consideram como epidemia. Lendo a edição de domingo (12/04) do Jornal de Piracicaba, a capa estampava a manchete: ‘Suspeita de casos de dengue aumenta atendimento nas UPA’s da cidade em 30%’.
O título assustador, que aliás era a notícia principal da edição, me fez ponderar que a doença, provocada pelo temido mosquito Aedes aegypti, além dos transtornos conhecidos como febre e fortes dores pelo corpo, pode levar à morte. E é isso que tem, de fato, preocupado as pessoas e as autoridades, inclusive da nossa cidade, que tem trabalhado tanto na prevenção quanto nos atendimentos à saúde, conforme relata a matéria.
Já pude em outra oportunidade, aqui mesmo neste espaço, falar sobre a dengue. Na época, escrevi que o combate ao mosquito transmissor da doença deve ser sem tréguas, assim como as formas de prevenção. Fazem apenas cinco meses que tratei do assunto e agora volto porque, ao contrário do que todos nós esperávamos, as notícias que chegam é a de que o vírus tem se proliferado e a doença que ele causa tem se tornado fatal.
Naquele momento, falei também sobre nossa cidade, dizendo que aqui em Piracicaba, os casos de confirmações da doença em 2014 davam conta de que havia tido uma redução com relação a 2013. Porém, agora temos essa notícia de capa de que a dengue tem aumentado os atendimentos em 30%.
Mas o que fazer para minimizar este grave e preocupante problema? A solução deve ser política, médica, mas também caseira, nossa individualmente. Temos de ter ciência de que não podemos ‘brincar‘ com esse mosquito, afinal ele não é nada inofensivo! Precisamos declarar guerra contra ele, cuidando para que todo espaço capaz de se tornar um criadouro seja eliminado!
Olhar a nossa própria casa já não é mais suficiente, temos também que fiscalizar o quintal do vizinho. Sim, muitas vezes as pessoas do nosso lado não estão muito preocupadas com a dengue ou não têm acesso a informações que nós temos… Então, precisamos alertar as autoridades sobre isso. Não é uma denúncia pura e simples, mas um cuidado com a saúde de todos, inclusive com a destas pessoas. Também precisamos ficar de olho nos espaços públicos, onde tantas pessoas infelizmente não respeitam e descartam todo tipo de objetos, como pneus, caixas, vasilhas e outros que podem acumular água de chuva e produzir um ‘belo criadouro‘ para as larvas do Aedes aegypti até os mosquitos saírem voando para dentro das casas.
Segundo a Secretaria da Saúde, São Paulo tem 585 casos por 100 mil habitantes. A Organização das Nações Unidas indica situação endêmica quando casos superam 300 por 100 mil. Ou seja, estamos muito acima dos valores estabelecidos pela OMS.
A situação do nosso Estado é de fato preocupante. Nos três primeiros meses deste ano, foram registrados 258 mil casos, número sete vezes superior ao do mesmo período do ano passado, quando 35 mil casos foram apontados. De acordo com o Ministério da Saúde, São Paulo concentra metade dos casos do país.
Atualmente, nosso Estado registra, em média, uma morte por dengue a cada 28 horas. Até agora, já são mais de 70 mortes por dengue neste ano. Em todo o ano passado, foram confirmadas 90.
De acordo com a reportagem do JP, os números de casos em Piracicaba estão dentro da faixa estabelecida pelo Ministério da Saúde, que preconiza um máximo de quatro atendimentos por hora para cada médico plantonista. Com esse artigo não queremos ser alarmistas, mas também não dá para ignorar que a dengue é perigosa e pode ser fatal.
Dilmo dos Santos é presidente da Igreja Evangélica Assembleia de Deus Madureira.















