small_2015-06-22-0001-01Com o desejo de melhorar o ambiente onde vivem, dezenas de moradores de vários bairros de Piracicaba resolveram arregaçar as mangas e trabalhar na ornamentação, limpeza, pintura e melhoria das praças públicas e áreas verdes espalhadas pela cidade.

O Jornal de Piracicaba circulou por esses locais e descobriu histórias impressionantes de dedicação e respeito ao próximo, de pessoas que não esperam nada em troca, tão pouco pela ação do poder público.

Não há um levantamento oficial a respeito do número de áreas públicas que sofrem intervenções dos próprios moradores, mas a Sedema (Secretaria de Defesa do Meio Ambiente) apoia este tipo de iniciativa, cada vez mais difundida na cidade.

Há cinco anos, uma praça localizada no final da rua Leogildo Salvagni, no Parque 1º de Maio, acumulava mato e sujeira.

Foi quando a dona de casa Selma Tescaro, 55, começou a levar algumas plantas de seu jardim para o local, como forma de melhorar o ambiente.

Logo os vizinhos resolveram se mobilizar e começaram a cuidar da área, com o plantio de árvores e flores, colocação de pedras ornamentais e fazendo a pintura das guias.

Hoje, o espaço que servia para esconderijo de usuários de drogas deu lugar a crianças e famílias, que utilizam a praça como espaço de lazer.

“Não foi fácil, pois no começo as pessoas não entendiam a nossa intenção e sofríamos muito vandalismo. Mas nós persistimos e hoje o resultado é esse que todo mundo está vendo. Um lugar que não vinha ninguém virou uma bela área de lazer. Até os pássaros voltaram”, relatou Selma.

Além de um belo jardim, a praça conta hoje com árvores frutíferas de acerola, jambo, amora e manga.

A aposentada Clarisse de Moura, 66, moradora do Jardim Ipanema, aproveita sempre o espaço para levar seus três netos para passear.

“É um espetáculo o que os moradores fazem aqui. Este lugar ficou tão agradável que as crianças adoram vir. Eu sempre trago eles aqui, porque eles crescem aprendendo a valorizar a natureza”, afirmou Clarisse.

Outro exemplo de união e dedicação dos moradores pode ser visto em uma área verde localizada na esquina das ruas Iara Amaral com Clara Nunes, no bairro Alvorada 3.

Há 11 anos, o local era um matagal utilizado para o despejo de lixo e entulho, o que provocava a infestação de ratos e escorpiões pela vizinhança.

Cansado de cobrar uma solução do poder público, o pintor Paulo Henrique Elias, 47, resolveu dar um basta ao impasse.

Com as ferramentas que possuía em casa, ele juntou os vizinhos para uma limpeza no local.

A área foi capinada, limpa e preparada para o plantio de 150 mudas de árvores nativas e frutíferas.

“Chamavam-me de louco, mas hoje todos reconhecem os benefícios deste trabalho. Tanto que eu ganhei aliados que se dedicam para manter esse espaço”, afirmou Elias.

O local bem arborizado conta com área de lazer para crianças, bancos, espaço para leitura, caminhada, descanso e ganhou o nome de “Chácara Madagascar”.

Até o ponto de ônibus que fica próximo dali foi ganhou a dedicação dos moradores.

“Nós concretamos o chão e instalamos bancos para os passageiros esperarem confortavelmente”, relatou o aposentado José Eduardo Nunes, 45.

No Jardim Elite, uma praça localizada na rua Antônio Augusto de Barros Penteado também se destaca pela dedicação do aposentado Roberto Valarini, 65.

Desde 2008 ele se dedica a preservar o local, que antes servia como depósito de lixo.

“Na primeira limpeza foram retiradas quase duas caçambas de lixo, inclusive um sofá”, contou.

Depois de plantar cerca de 30 árvores na praça, hoje Valarini cuida da grama, pinta as guias, faz a manutenção do parquinho, enfeita a área com materiais recicláveis e custeia a limpeza do local com recursos próprios, gastando cerca de R$ 300 mensais.

“O retorno é a satisfação de ver as pessoas frequentando a praça junto com as crianças e animais de estimação”, disse.

A Sedema informou que apoia e incentiva este tipo de iniciativa.

“Esta ação é sempre benéfica, auxiliando na preservação, minimizando inclusive a depredação do bem público. Em todos estes casos, os técnicos da Sedema se colocam à disposição dos moradores do entorno dessas áreas sempre que necessitam”, disse o engenheiro de obras da Pasta, Márcio Antonio Maruko.