downloadO mercado de trabalho formal de Piracicaba teve desempenho negativo em maio, com eliminação de 107 vagas, apontou o Caged (Cadastro Geral de Empregados e Desempregados).

O resultado foi o pior já registrado para o mês desde o início da série histórica, em 2003. No acumulado de um ano, o mercado local já enxugou 3.206 vagas de trabalho com carteira assinada. Os dados são do Ministério do Trabalho.

Conforme o levantamento, as empresas da cidade admitiram 4.727 profissionais celetistas ao longo de maio. Ao mesmo tempo, o corte de vagas fez com que 4.834 trabalhadores fossem dispensados, uma variação de -0,09% em relação ao estoque de assalariados com carteira assinada registrado no mês anterior.

De todos os setores da economia piracicabana, foi a indústria de transformação a que mais demitiu: cortou 338 vagas. A construção civil também influenciou o saldo negativo, com eliminação de 260 postos de trabalho formal em um mês. O comércio e o setor de serviços engrossam essa conta: cortaram 90 e 53 vagas respectivamente.

Os indicadores não foram piores graças ao setor agropecuário, que gerou 577 vagas graças ao corte da cana-de-açúcar. A administração pública e os serviços industriais de utilidade pública também criaram oportunidades de trabalho, porém, em menor escala, com geração respectiva de 40 e 16 vagas. O setor de extrativismo mineral gerou um emprego formal.

“O corte de postos de trabalho na indústria já era esperado, mas também houve um grande volume de desligamento no setor da construção civil. É um fator preocupante, principalmente porque a indústria emprega trabalhadores com um salário médio mais alto que os outros setores”, afirmou Francisco Crocomo, coordenador do Banco de Dados Socioeconômicos da Unimep (Universidade Metodista de Piracicaba).

Ele comentou que o saldo do emprego no acumulado de janeiro a maio ainda é positivo em 409 vagas, mas é o segundo pior registrado na série histórica, perdendo apenas para o ano de 2009, período da crise econômica mundial.

Crocomo ressaltou que apesar do volume de dispensas ter sido maior que o de contratações, há segmentos da economia que têm admitido e o trabalhador que está no mercado deve ficar atento às oportunidades, ainda que o salário não seja o esperado de imediato.

Ele citou que também existem cursos gratuitos de qualificação que podem auxiliar o trabalhador na busca por uma recolocação no mercado. “O volume de emprego gerado não está suficiente para atender à demanda, mas há oportunidades, não se pode desanimar, é preciso buscar alternativas para que não se fique tão vulnerável”, disse.

Jornal de Piracicaba