Mais piracicabanos têm enfrentado dificuldades para pagar as contas em dia, mostrou balanço divulgado ontem pela Acipi (Associação Comercial e Industrial de Piracicaba).
Na variação acumulada dos últimos 12 meses, a inadimplência entre os consumidores da cidade avançou 6,9%, sendo que só na comparação entre abril e maio deste ano, o índice de crescimento chegou a 3%.
O total de pessoas com dívidas em atraso não foi divulgado.
Os dados são da Boa Vista SCPC (Serviço Central de Proteção ao Crédito).
O aumento do custo de vida devido à inflação acelerada e a escalada das taxas de juros e dos níveis de emprego são alguns dos fatores que têm contribuído para essa alta da inadimplência, pontuou o presidente da Acipi, Angelo Frias Neto.
Ele acredita no entanto que, nos próximos meses, esse índice de crescimento deve ser mais contido.
“Na variação acumulada de 12 meses nós tivemos 6,9% de aumento na inadimplência, mas no comparativo de maio do ano passado a maio deste ano, o índice foi um pouco menor, girou em torno de 5%. O que esperamos é que o ritmo de crescimento diminua ao longo do próximo semestre, com certa estabilidade desses níveis”, disse.
Ele completou que há muitas dificuldades da economia, com inflação em alta, juros aumentando, queda prevista do PIB (Produto Interno Bruto), porém, a cidade ainda tem um nível de emprego ligeiramente positivo no acumulado de janeiro a maio deste ano e há tendência de que esse nível se estabilize, o que deve ajudar a segurar um avanço da inadimplência.
Parte disso, deve-se ao aquecimento natural do segundo semestre, com movimentação melhor dos setores de comércio e serviços e, posteriormente, com injeção do 13º salário.
O professor de ciências econômicas da Unimep (Universidade Metodista de Piracicaba), Ivens de Oliveira, lembrou que a renda da população está mais comprometida com a compra de alimentos e com o pagamento de contas básicas de consumo, como água e luz, que por sua vez tiveram aumentos acima da inflação.
No caso da conta de energia elétrica, entre implantação de bandeiras tarifárias e correções, a conta subiu mais de 60%.
“Todos estes reajustes, além da inflação em alta e do aumento das taxas de juros, afetam a renda da população e isso se reflete no pagamento dos serviços de forma geral, o que eleva os índices de inadimplência”, afirmou.
Ele comentou que, diante das dificuldades em pagar todas as contas em dia, o ideal é que o consumidor priorize as contas com juros mais elevados e renegocie prazos e valores.
“O ideal é que o consumidor reveja sua política de gastos e que tome decisões conscientes para evitar problemas posteriores. Vale utilizar os recursos de forma mais racional também: se a conta de luz está alta, fazer um controle frequente desse consumo é fundamental e evita que a conta seja cada vez maior no fim do mês”, informou.
Quem tem contas a pagar sabe o malabarismo que é para fechar o mês no azul.
A professora Alessandra Prezzotto, 40 anos, mudou hábitos de consumo e até de residência para equilibrar o orçamento.
“Está tudo muito difícil, a minha conta de luz mesmo subiu demais, está cada mês mais cara. Estou mudando de residência, o que já vai ajudar, porque o aluguel é mais em conta. Além disso acabo comprando outras marcas no supermercado, porque o preço dos alimentos subiu muito”, disse.
PAGAMENTOS — O indicador de recuperação de crédito do consumidor em Piracicaba — obtido a partir da quantidade de exclusões dos registros de inadimplência — apontou melhora, com alta de 1,2% na variação acumulada em 12 meses.
No comparativo entre maio do ano passado e maio deste ano, no entanto, o cenário foi pior, com queda de 5,4%.















