small_2015-07-20-0001-01Piracicaba cortou 1.134 vagas de trabalho formal durante o mês de junho, mostrou o Caged (Cadastro Geral de Empregados e Desempregados), divulgado nesta sexta-feira (17/07) pelo Ministério do Trabalho.

O resultado é o pior já registrado para o período desde 2003, ano em que foi iniciada a série histórica do cadastro.

Ao todo, as empresas da cidade admitiram 3.924 profissionais e desligaram outros 5.058, um enxugamento de 0,91% de seu estoque de trabalhadores assalariados.

A indústria de transformação, o setor de serviços e o comércio encabeçam a lista dos que mais dispensaram no mês, com saldos negativos em 673, 432 e 132 vagas respectivamente.

Para o coordenador do banco de dados socioeconômicos da Unimep (Universidade Metodista de Piracicaba), Francisco Constantino Crocomo, o resultado do nível de emprego formal, apesar de ruim, não pode ser recebido como uma surpresa, já que há meses os indicadores da cidade estão sendo negativos.

Ele esclareceu que, com a economia enfraquecida, muitas atividades mantidas na indústria estão sendo cortadas, entre elas as terceirizadas, que são prestadas por empresas do setor de serviços, o que explica a elevação no índice de desemprego neste setor.

Ao mesmo tempo, o comércio vem sentindo os reflexos da alta das taxas de juros, que diminui o acesso ao crédito, e do aumento do desemprego nos outros setores.

Com a diminuição da atividade comercial, o número de desligamentos neste segmento também continua em alta.

“O setor de serviços tem uma parcela de empresas de terceirização e como a indústria costuma trabalhar com terceirizados, principalmente temporários, quando a economia está desaquecida, esse recrutamento diminui. De maneira geral, o setor de serviços, que até então vinha em melhor ritmo e estava absorvendo os trabalhadores desligados da indústria e do comércio, também vem sofrendo”, disse.

Para o economista, os resultados do nível de emprego nos próximos meses deverão seguir a mesma tendência de queda ou, em melhor hipótese, de estabilidade.

Os saldos do emprego no ano, que está negativo em 361 vagas, e nos últimos 12 meses, que é negativo em 3.858 vagas, entretanto, não devem se recuperar até o final de 2015.

Dos demitidos, a maior parte, segundo o Painel de Monitoramento do Mercado de Trabalho, também do MTE, vem sendo de profissionais com menos de três meses de registro em carteira.

A segunda maior parcela é de profissionais com mais de três anos na mesma empresa.

O indicador demonstra que, depois da experiência, as empresas cortam os de maior custo, segundo o economista.

HISTÓRICO — De acordo com a série histórica do Caged, em junho do ano passado, o saldo do emprego também foi negativo em 438 vagas.

Em 2013, no entanto, a cidade havia gerado 216 postos de trabalho formal e, no ano da crise econômica mundial, 2009, esse saldo foi negativo em 131 vagas.

Antes, desde 2003 até 2008, houve geração de vagas formais em todo o período.