small_2015-07-20-0010-01Os casos de dengue na cidade mais do que triplicaram no primeiro semestre deste ano em relação ao mesmo período do ano passado.

Levantamento divulgado pela Vigilância Epidemiológica aponta que até dia 27 de junho de 2015 foram 8.189 notificações, com a confirmação de 3.254 casos.

Até a mesma data no ano passado foram 2.112 notificações e 888 casos confirmados.

Este ano, a Secretaria Municipal da Saúde registrou três óbitos supostamente causados por dengue, mas que ainda aguardam confirmação.

Em 2014, duas pessoas morreram de dengue.

A epidemia deste ano fez com que a Pasta, além das ações de rotina, adotasse arrastões extras para tentar conter o avanço da doença.

Além disso, um experimento inédito denominado Aedes aegypti do Bem foi implantado no bairro Cecap, com a soltura de mosquitos geneticamente modificados, com a intenção de neutralizar a procriação dos mosquitos selvagens.

Segundo o coordenador do Programa Municipal de Combate a Dengue, Sebastião Amaral de Campos, a região Sudeste atingiu índices históricos de notificações e confirmações da doença em 2015.

“Nunca havíamos constatado tantos casos de dengue em um período tão curto de tempo. Realmente este ano fomos surpreendidos. Não só Piracicaba, mas todos os municípios paulistas sofreram com a epidemia”, disse.

Segundo ele, este ano a situação foi tão atípica que até mesmo com a chegada do inverno os casos de dengue ainda continuaram ocorrendo.

“Mesmo com as temperaturas baixas, ocorreram 32 mortes recentemente no Estado em virtude da dengue. Isto é uma notícia preocupante. Pesquisadores buscam respostas para saber se o vírus da doença está se adaptando a temperaturas mais frias”, afirmou.

Visando um combate efetivo, além das ações de rotina que incluem visitas casa a casa, bloqueio mecânico para eliminação de criadouros e nebulização, a secretaria realiza arrastões extras para tentar conter o avanço da dengue.

Entre o dia 19 de julho de 2014 e o final de março deste ano foram realizados 26 mega arrastões aos sábados e 35 promovidos pelas equipes do PSF (Programa Saúde da Família).

No total, foram removidas cerca de 600 toneladas de materiais inservíveis, que constituem criadouros do mosquito Aedes aegypti.

De julho 2015 a junho de 2016, considerado ‘novo ano dengue’, estão programados 78 eventos, sendo 28 arrastões aos sábados e 50 abrangendo todas as equipes do PSF do município.

Em 25 eventos realizados até a semana passada, a Saúde já havia recolhido 178 toneladas de inservíveis.

“Precisamos nos antecipar ao período de calor e chuva, onde o mosquito se prolifera com maior velocidade. Buscamos sempre algo mais para que possamos nos adiantar às epidemias”, relatou.

Além do aumento no número de arrastões, a Pasta intensificou em 2014 o trabalho em áreas de maior risco para a doença, que apresentaram índice de infestação do Aedes elevado.

O trabalho foi realizado entre novembro e fevereiro nos bairros Nhô Quim, Cecap, Novo Horizonte, Pauliceia, Jardim Primavera, Bairro Alto, Morumbi, Vila Monteiro, Vila Rezende e Vila Independência.

A Pasta iniciou em abril o projeto Aedes aegypti do Bem no Cecap, que utiliza um mosquitos geneticamente modificados para tentar conter os mosquitos selvagens e, por consequência, o avanço da doença.

Outra iniciativa importante foi o endurecimento das ações contra os proprietários e responsáveis por imóveis fechados e abandonados, com a aplicação de notificações, autos de infração, multas e o ingresso forçado em muitos imóveis que não cumprem a legislação.