Com orçamento mais apertado, consertar o que deu problema tem sido a opção de muitos consumidores para economizar. Se antes a substituição de um produto velho por um novo era facilitada pelo crédito, que viabilizava parcelamentos muitas vezes sem juros e a perder de vista, hoje o que predomina são os pequenos consertos, com valores baixos, mas suficientes para prolongar a vida útil dos produtos.
Na cidade, empresas especializadas em reparos têm registrado aumento de mais de 20% no volume de serviços prestados desde o início do ano. E a procura vem crescendo à medida em que a compra de novos eletrodomésticos, eletrônicos, utilidades domésticas e até itens de vestuário encarece.
“O aumento na procura é geral, acredito que todas as empresas que trabalham com conserto estão sentido essa alta do mercado e isso está relacionado à crise mesmo. As pessoas têm preferido consertar o que já está em uso do que gastar para comprar um novo”, afirmou o empresário Mateus Lucchi (foto).
Especializado no conserto de celulares, ele viu o volume de trabalho crescer cerca de 30% nos últimos três meses, principalmente por conta da alta de preços dos modelos novos. Segundo o empresário, enquanto alguns smartphones de última geração custam mais de R$ 3.000 no mercado, a troca da tela de um aparelho como esses custa em torno de R$ 500.
A maioria dos reparos em celulares mais simples, no entanto, fica em até R$ 100. Tela quebrada e aparelho molhado são os casos mais frequentes na loja de consertos. “Antes o consumidor até mandava orçar, arrumava, mas também comprava um novo e passava o antigo para alguém da família. Agora não. Muitos dos que chegam aqui para arrumar reclamam que foram pesquisar para comprar um modelo novo e que o preço aumentou muito. O conserto tem compensado mais”, disse.
Mas não é só no setor em que os preços são mais ‘salgados’ para o consumidor que a busca pelos reparos aumentaram. Os consertos em artigos do vestuário e outras utilidades também cresceram em torno de 25% em uma tradicional sapataria da cidade.
“Deu para sentir um aumento significativo de maio para cá, notamos um aumento de 25% na prestação do serviço, o número de orçamentos cresceu até mais. Acredito que a situação econômica tenha interferido muito nessa situação, porque às vezes com R$ 15, R$ 20, você recupera um calçado. As pessoas têm preferido tirar os modelos da prateleira, fazer alguma alteração, do que comprar novos”, disse o empresário Carlos Alberto Forti.
Ele cita que o inverno também auxilia neste sentido, já que os calçados desta época de frio, como as botas, por exemplo, em geral custam mais do que os sapatos de verão. O modo padronizado da produção industrial também contribui para que os serviços oferecidos pelo setor nunca parem.
“Uma pessoa é diferente da outra, às vezes a bota aperta a panturrilha, é preciso aumentar o tamanho, nas outras é preciso apertar. Há uma infinidade de consertos”, relatou.
O motorista Wagner Ruiz, 35, fez as contas e optou pelo conserto da mala de viagens. Gastou em torno de R$ 50 para recuperar o zíper e reforçar o couro das laterais, que estava cedendo. Para comprar uma nova, gastaria ao menos R$ 300, calculou. “Compensou bastante, o conserto saiu muito mais em conta para mim e, além de tudo, ficou ótimo”, afirmou.














