small_2015-08-18-0007-01Moradores e comerciantes de áreas próximas ao rio Piracicaba, e também os turistas, têm notado um odor forte e desagradável que acentua-se no início da manhã e à noite.

Devido a estiagem — ainda não choveu neste mês —, a vazão e o nível do rio permanecem baixos, provocando mau cheiro.

Proprietário de um comércio localizado há 36 anos na avenida Rui Barbosa, na Vila Rezende, Renê Boni disse que outros comerciantes também têm falado sobre o cheiro forte vindo do rio.

“Está igual ao ano passado, na época que não choveu. Essa semana está mais forte o cheiro”, afirmou.

Vendedora de outro comércio na avenida principal, Lucilena Aparecida Elias relatou que, pela manhã e após o entardecer, o cheiro fica mais acentuado.

“O mau cheiro chega a dar ânsia. Quando o sol se põe vai piorando ainda mais. O cheiro incomoda bastante, mas não temos o que fazer. Não chove e o rio está seco”, disse Lucilena.

O mau odor também pode ser sentido em outras localidades, nas ruas Luiz de Queiroz, Tiradentes e em outras vias da Vila Rezende.

“Como ficamos abertos à noite, sentimos o cheiro forte. Foi a mesma coisa no ano passado, mas estava pior do que agora”, relatou o gerente de um restaurante da rua Luiz de Queiroz, Rogério de Lima Cruzato.

De acordo com a gerente da Cetesb (Companhia Ambiental do Estado de São Paulo) em Piracicaba, Ednéa Parada, a vazão do rio Piracicaba encontra-se muito reduzida e, desta forma, os poluentes, que normalmente estão presentes na água, estão mais concentrados.

“Esses poluentes, quando são degradados pelos microrganismos, causam o desprendimento de gases, que podem explicar os odores percebidos. O aumento da temperatura, percebido nos últimos dias, pode agravar esse fenômeno”, informou.

Às 18h desta quarta-feira (19/08), o rio Piracicaba registrou 88 centímetros e vazão de 13,33 m³/s, conforme dados da rede telemétrica do Daee (Departamento de Águas e Energia Elétrica).

Durante esta semana, os dados têm mostrado uma ligeira melhora nos índices.

Na última sexta-feira, o rio alcançou o menor nível do ano, 86 centímetros e vazão de 12,48 m³/s.

“A menos que haja algum lançamento irregular, a causa do mau cheiro proveniente do rio Piracicaba é, com certeza, decorrência da longa estiagem que o Estado de São Paulo está enfrentando. A boa notícia é que está entrando uma frente fria que, segundo as previsões meteorológicas, deve interromper este período sem chuvas”, disse em nota, a assessoria de imprensa da Cetesb.