
A valorização constante do dólar frente ao real nos últimos meses não foi suficiente para alavancar as exportações de Piracicaba, que acumulam queda de 30% no comparativo entre os oito meses deste ano e o mesmo período do ano passado.
Segundo dados do Mdic (Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior), foram enviados, de janeiro até agosto, cerca de US$ 852 milhões em mercadorias enquanto que no ano passado, esse valor já havia chegado a US$ 1,2 bilhões.
“A desvalorização do real não ajudou as exportações de Piracicaba em 2015, mas deve ajudar em 2016”, afirmou Cristiano Morini, pesquisador e professor de administração da Unicamp (Universidade de Campinas).
Ele cita que, com o saldo acumulado em oito meses, dificilmente haverá reversão dos dados e a tendência é mesmo de que o ano seja encerrado com queda de 30% nas exportações.
As importações, por sua vez, devem cair em torno de 20% — hoje estão 21% mais baixas no acumulado do ano em relação a igual intervalo de 2014.
“O desaquecimento da economia mundial e dos países emergentes foi o que mais impactou as exportações da cidade no período. Houve uma queda acentuada de exportações para países de destino tradicionais como Estados Unidos e partes da Europa. Ao mesmo tempo, novos países passaram a negociar de forma mais impactante, como Turquia e Emirados Árabes. Um fato que chama a atenção é a entrada da Coreia como importadora de mercadoria piracicabana”, informou Morini.
Segundo ele, houve mudanças representativas também no rol de países com os quais Piracicaba mantém relação de importação.
Antes, a maior fatia de importados vinha dos Estados Unidos.
Hoje, passou a vir da Coreia do Sul.
“A Coreia deixou os Estados Unidos em segundo plano, o que é uma mudança histórica. Os Estados Unidos sempre foram o primeiro país de origem das mercadorias.”
A alteração, conforme o pesquisador, se deve ao fato de que a principal importadora de mercadoria norte-americana, a Caterpillar, teve queda de vendas nos últimos meses.
Ao contrário, a Hyundai, manteve o nível de importação voltada à produção de veículos que atenderão ao mercado interno.
ALÉM DO ESPERADO — Apesar de ser prevista, a queda nas exportações foi maior que o esperado pelo mercado, disse o pesquisador.
“A diminuição das exportações está alinhada com a retração do comércio mundial, mas está maior que a expectativa”, relatou Morini.
Ele reforçou que 30% é um índice representativo, mas acredita que, em 2016, já beneficiada pelo câmbio, a situação seja revertida.
De forma geral, por exportar bens de capital, que, entre outros aspectos, demandam contratos de prazo mais longo, as alterações do dólar levam mais tempo para impactar positiva ou negativamente a pauta exportadora de Piracicaba.
FONTE: Jornal de Piracicaba















