Um dos mais afetados pela retração econômica, o setor metalúrgico registrou aumento de 20% nas dispensas de trabalhadores do início do ano ao final de agosto.

Somado a isso, ao menos duas importantes companhias da cidade atualmente têm promovido a suspensão temporária de trabalho, o chamado layoff, para evitar demissões frente à queda de produção do setor.

Dados divulgados pelo Sindicato dos Metalúrgicos a pedido do Jornal de Piracicaba mostram que, de janeiro até 31 de agosto deste ano, foram homologadas 4.633 dispensas de profissionais.

Além disso, outras 367 demissões efetuadas pela Dedini no mês passado ainda não foram formalizadas à entidade.

No mesmo intervalo do ano passado o número de homologações chegava a 4.150.

Em ambos os casos, a maior parte dos desligamentos ocorreu por decisão da empresa.

A maioria dos dispensados é do sexo masculino.

“É uma situação que preocupa muito o sindicato porque é praticamente impossível que este trabalhador se reinsira na mesma função em curto espaço de tempo”, afirmou José Florêncio da Silva, o Bahia, presidente do Sindicato dos Metalúrgicos de Piracicaba e Região.

Ele apontou que praticamente todas as empresas que fornecem produtos para a Caterpillar fizeram demissões neste ano.

A própria multinacional efetuou dispensas no começo de 2015 para adequar o número de profissionais ao volume de produção e iniciou, no dia 1º de setembro, o PPE (Programa de Proteção ao Emprego), com redução de cargos e salários para evitar a necessidade de novos cortes no quadro profissional.

“As empresas que fornecem para a Caterpillar tiveram que se readequar, tiveram demissões”, relatou Bahia.

O presidente comentou que empresas de outros setores, como as ligadas ao setor de máquinas agrícolas, também vêm enfrentando dificuldades no município.

O cenário para os próximos meses, entretanto, é de estabilização no volume de dispensas.

“As demissões que tinham que acontecer já aconteceram, porque se as empresas demitirem mais, irão fechar.”

CAMPANHA — Na última sexta-feira, o Sindicato dos Metalúrgicos deu início à campanha salarial da categoria, que tem data-base em 1º de novembro.

Uma assembleia com trabalhadores ratificou o poder de negociação da entidade na campanha e assembleias com profissionais nas portas da fábricas já estão programadas.

A categoria lutará por reajuste que cubra a inflação e ofereça percentual de aumento real.

A estimativa é de que a inflação — mensurada pelo INPC (Índice Nacional de Preços ao Consumidor) — gire em torno de 9,5% a 9,7%.

“Será uma campanha difícil, mas a luta do sindicato é conseguir cobrir a inflação e conquistar aumento real.”

 

 

FONTE: Jornal de Piracicaba