
O aumento dos índices de desemprego e a queda do salário inicial dos profissionais que ingressam ou retornam ao mercado de trabalho puxaram uma retração de R$ 2,1 milhões na massa salarial de Piracicaba, mostram dados disponibilizados pelo Ministério do Trabalho.
A soma dos salários médios de todos os trabalhadores que atuam com carteira assinada na cidade caiu de R$ 333,5 milhões nos primeiros meses do ano para R$ 331,4 milhões no último mês de julho.
O volume de recursos que deixa de passar pelas mãos dos trabalhadores deixa também, consequentemente, de movimentar o comércio, o setor de serviços e a indústria locais, explicou Francisco Constantino Crocomo, coordenador do banco de dados socioeconômicos da Unimep (Universidade Metodista de Piracicaba).
E todo esse círculo impacta na geração de riquezas da cidade, o que se refletirá no PIB (Produto Interno Bruto).
“Os dados mostram que o trabalhador vem perdendo poder de consumo e os impactos disso serão sentidos no nosso PIB. Logicamente que também há informalidade por parte dos que deixaram o mercado de trabalho, mas essa queda na massa salarial da cidade não deixa de ser ruim”, disse Crocomo.
A análise feita pela equipe do banco de dados socioeconômicos da Unimep aponta o aumento do desemprego como o principal fator para a queda.
A geração de emprego com carteira assinada na cidade vem somando resultados negativos há vários meses consecutivos.
Conforme o Caged (Cadastro Geral de Empregados e Desempregados), de janeiro a julho deste ano, a cidade cortou 4.347 postos de trabalho formal, uma diminuição de 3,38% do quadro de assalariados até então.
Outro apontamento da equipe é quanto ao salário médio de admissão dos trabalhadores.
Neste sentido, pesam tanto o fato de haver mais profissionais disponíveis no mercado e, portanto, mais suscetíveis a aceitar empregos com menor remuneração, quanto profissionais que tinham salários mais elevados e, dispensados do antigo emprego, acabaram encontrando oportunidade em outro setor com salários tradicionalmente mais baixos.
A equipe reforçou que os dados mostram apenas a variação nominal da massa salarial, ou seja, não consideram os descontos da inflação, o que elevariam as perdas salariais dos trabalhadores nos últimos meses.
“Além do salário inicial menor e da menor quantidade de trabalhadores empregados, a inflação que está alta vem corroendo ainda mais os ganhos dos trabalhadores”, relatou Crocomo.
Ele comentou que a recuperação desses indicadores deve ser lenta e citou que a expectativa para o mercado de trabalho não é de crescimento nos próximos meses.
“Aguardamos agora que as medidas anunciadas pelo Governo tragam resultados mais positivos para a economia”, disse.















