A greve dos bancários entra na terceira semana sem perspectivas de fim.

Em Piracicaba, 58 das 60 agências (95%) estão com as atividades paralisadas e 900 dos 1.284 (70%) trabalhadores aderiram ao movimento.

Como resultado, além das filas nos caixas eletrônicos, constantes desde o início da paralisação, parte dos clientes tem reclamado dos transtornos gerados.

De acordo com o SindBan (Sindicato dos Bancários), a situação tende a permanecer inalterada pelos próximos dias já que a Fenaban (Federação Nacional dos Bancos) não ofereceu uma nova proposta que atenda as reivindicações da categoria.

Os bancários pedem 16% de reajuste enquanto que a proposta da Fenaban é de 5,5% de aumento salarial.

A opinião de clientes ouvidos pelo Jornal de Piracicaba está dividida.

Na segunda-feira (19/10) à tarde, o mecânico Maurício Moraes não conseguiu quitar uma conta já que o valor do boleto superava o limite de R$ 3.000.

“Precisava pagar isso hoje (ontem), mas não consegui porque o valor está a cima do que o terminal aceita. Tentei conversar com um funcionário que estava dentro do banco, mas não deu. O credor fica em Santo André, por isso não tem como eu ir até lá para pagar”, relatou.

A comerciante Elisabete Mazero, dona de uma padaria que funciona como correspondente bancário, também reclamou de dificuldades decorrentes da greve.

“Parece piada, mas eu, mesmo sendo um correspondente bancário, não consigo pagar algumas das minhas próprias contas. O problema é que o sistema não aceita débitos a cima de R$ 999,99. Como se não bastasse, os bancos estão orientando os clientes a virem aqui pagar as contas e eu não tenho estrutura para atender tanta gente”, afirmou.

Já a possibilidade de realizar a maior parte das transações pela internet ou pelo caixa eletrônico faz com que a greve não seja notada pela aposentada Leonice Nagata.

“Para mim não muda nada, resolvo tudo pelo celular ou vou no caixa eletrônico quando é um assunto urgente. Não sei dizer se a greve é justa, só sei que a mim ela não atrapalha”, disse.

SINDICATO — Assim que a greve foi deflagrada, o SindBan anunciou que esperava fazer desta a paralisação mais breve da história, o que não se confirmou.

“Ao contrário do que nossa categoria desejava, que esta greve pudesse ser resolvida com rapidez, mais uma vez fica clara a intransigência e a insensibilidade dos bancos. Sugerimos que os clientes procurem seus direitos junto ao Procon e que sempre penalizem os bancos por não oferecerem o serviço. Esta pressão vai ajudar a resolver o mais rápido possível essa greve” disse José Antonio Fernandes Paiva, presidente do SindBan.

 

 

FONTE: Jornal de Piracicaba