Os rios Piracicaba e Corumbataí invadiram ruas e inundaram casas

Casas em bairros da cidade ficaram com água próximo ao telhado

A chuva deu uma trégua nesta quarta-feira (13), em Piracicaba, e o nível do rio que leva o nome da cidade começou a baixar lentamente – às 16h30, marcava 5,47 metros, enquanto às 11h40 estava em 5,78 metros -, apontam dados do sistema de telemetria do consórcio das Bacias Piracicaba, Capivari e Jundiaí (PCJ). Apesar da queda, a situação de emergência continua na cidade. A Defesa Civil dá continuidade aos trabalhos ininterruptos – profissionais estão de plantão 24 horas.
Isto porque, dois anos após ficar praticamente seco, o rio Piracicaba transbordou na noite de terça-feira (12), e famílias tiveram que ser retiradas de suas casas. A cheia do manancial é a primeira após o mais severo estresse hídrico registrado no Estado de São Paulo – com as pedras expostas, o rio foi símbolo de seca na região. Na manhã de ontem, casas estavam embaixo d’água – em algumas regiões, era possível observar apenas o telhado dos imóveis.
Além disso, com o transbordamento do rio, cardumes de peixe puderam ser vistos nas ruas próximas à avenida Beira Rio, que está intransitável entre o Largo dos Pescadores e a avenida Doutor Paulo de Moraes. Todos os restaurantes da Rua do Porto estão de portas fechadas – e o parque interditado.
“Tudo indica que a situação piore nos próximos dias. Isto porque existe previsão de chuva para Piracicaba. Também está chovendo no Sul de Minas Gerais, em Americana, Brotas, Analândia e Rio Claro. São águas que desaguam no Piracicamirim e no Corumbataí e chegam ao rio Piracicaba. A quantidade de chuva é grande e a correnteza está forte. Na madrugada de quarta-feira (13), trabalhamos até às 3 horas. Às 6h30, estávamos de volta”, conta o secretário executivo da Defesa Civil, Carlos Alberto Razano.
Com cinco pontos mais críticos no município, nos bairros Vila Rios, Santa Teresinha, Bongue, Parque Piracicaba e a Rua do Porto, o trabalho do órgão entrou madrugada adentro na tentativa de alertar a população e auxiliar na retirada de famílias destas regiões. Seis famílias deixaram suas residências – duas no Bongue e quatro na Vila Rios. Estas regiões foram prejudicadas pelo transbordamento de outro rio, o Corumbataí. As famílias não tinham para onde levar os móveis, por isto, a prefeitura liberou o Centro Comunitário da região do bairro Santa Teresinha para alocar os objetos.
Outras pessoas não quiseram deixar suas casas, mesmo tomadas pela água. Por volta das 10h40, uma equipe do Corpo de Bombeiros, que tinha entre os membros o sargento Sanches, tentava retirar da rua Inocêncio Paula Eduardo, uma senhora. Ela vive em um sobrado e estava na parte superior da casa. Na via, a água chegou a mais de 1,60 metro.
Dados
O volume de chuva registrado entre os dias 1º e 13 de janeiro representa 64% da média para o mês, em Piracicaba, que é de 231 milímetros. Segundo dados do Posto Meteorológico da Esalq/USP (Escola Superior de Agricultura Luiz de Queiroz/Universidade de São Paulo), até ontem, 149 milímetros de precipitação foram registrados – 120 milímetros nos últimos quatro dias.
Apenas na última terça-feira (12), choveu 55,9 milímetros. Às 17 horas desta quarta-feira, a vazão do rio Piracicaba era de 710,8 metros cúbicos por segundo – ao meio-dia, era de 768,31 metros cúbicos por segundo. O volume previsto para o mês é de 197,27 metros cúbicos por segundo.
Previsão
A previsão é de mais chuva para os próximos dias. De acordo com informações do Climatempo, até a próxima terça-feira (19), deve chover na cidade. Nesta quinta-feira (14), a probabilidade de precipitação é de 80%, nesta sexta-feira (15), é de 62%. No sábado, sobe novamente para 80%.
Atração
Com o transbordo do rio Piracicaba, era grande o movimento na região da Rua do Porto. Muitos foram observar o manancial. A luta dos peixes que sobem o rio no período da piracema, para a reprodução, também chamou a atenção dos populares. “Vi no jornal que o rio tinha transbordado e vim observar. Aproveitei para tirar foto e fazer vídeos. A natureza é muito generosa”, conta José Carlos Silva Santos, que é natural do Rio Grande do Sul e há cinco anos vive no município.
Outras pessoas, curiosas, foram ver de perto parte da região que está embaixo d’água. “É impressionante e inacreditável. Vimos o rio morrer, sem água, e agora ele ressurge. Novamente deixa rastro de destruição”, diz Maria Helena Medeiros.
FONTE: Gazeta de Piracicaba