
As empresas de Piracicaba exportaram US$ 159,8 milhões em mercadorias ao longo de março, uma alta de 25% na comparação com fevereiro e de 28% frente ao mesmo período do ano passado, quando foram registrados respectivamente US$ 127 mi e R$ 124 mi em operações.
O resultado é o melhor registrado para um único mês desde outubro de 2014, segundo estatísticas do Mdic (Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior). Na ocasião, o embarque de produtos somou US$ 196,9 milhões. “Março foi um mês atípico para as exportações de Piracicaba, mas ainda é cedo para saber se ele representa uma inversão de tendência ou se é apenas um ponto fora da curva”, afirmou Cristiano Morini, pesquisador e professor do curso de administração da Unicamp (Universidade de Campinas). Segundo ele, o bom resultado não tem relação específica com a recente valorização cambial, mas pode indicar a busca das empresas locais por novos compradores no mercado internacional.
Entre as mercadorias que saem de Piracicaba, a maior parte é considerada bens de capital. Produtos como niveladoras, raspo-transportadoras, carregadoras e pás-carregadoras, por exemplo, responderam por 70% do total de embarques da cidade nos três primeiros meses deste ano, conforme o Mdic. “A exportação de Piracicaba é focada em bens de capital e o melhor desempenho no mês passado está mais relacionado a mudanças pontuais em algum mercado do que a alterações do câmbio. O que parece é que março foi um mês que esteve ‘descolado’ dessa situação política e econômica que atravessa o país”, informou Morini. Se esse melhor resultado de março estiver ligado à recuperação de empresas locais e à conquista de mercados importantes, citou o pesquisador, pode ser o início de uma nova tendência para a cidade, com resultados capazes de impulsionar a economia local, sendo um alento neste momento ruim do país.
Março também terminou com aumento das importações, que chegaram a US$ 128 milhões — alta de quase 18% com relação a fevereiro. Tal situação é considerada positiva devido ao perfil do município, já que as empresas locais tem como característica importar componentes para depois exportar (ou oferecer no mercado interno) itens com maior valor agregado. É o caso da Hyundai por exemplo. A montadora recebe componentes importados e fabrica veículos que atenderão ao mercado interno e agora também externo. Em meados do mês passado, foram iniciadas as exportações de HB20 para o Paraguai, o que impacta tanto a pauta importadora quanto exportadora local. “O mercado das Américas, de forma geral, está salvando a economia de Piracicaba. A volta do aquecimento da economia dos Estados Unidos, que é muito forte, puxa a América Latina e o Canadá juntos, o que é um sinal muito bom para Piracicaba”, afirmou Morini.
MERCADOS — Os principais mercados de destino da exportação piracicabana no acumulado do primeiro trimestre de 2016, segundo o Mdic, foram Estados Unidos (25% de participação), Bolívia (11,2%), Peru (10,38%), Argentina (5,72%), Japão (4,83%) e Canadá (4,83%).
Já nas importações, os principais países de origem da mercadoria que chega a Piracicaba foram Coreia do Sul (38,95%), Estados Unidos (28,89%), China (7,05%), Chile (4,62%) e Paraguai (3,01%).
















