As exportações de Piracicaba em janeiro deste ano aumentaram cerca de 21% no comparativo com o mesmo período do ano passado.

Dados divulgados ontem pelo Mdic (Ministério da Indústria, Comércio Exterior e Serviços) mostra que os produtos que saíram do município em janeiro de 2016 resultaram em US$ 67.752.835, enquanto que no primeiro mês de 2017 as exportações da cidade renderam US$ 82.142.893 — o que significa US$ 14.390.058 a mais.

Em se tratando de importações, Piracicaba também teve alta na relação janeiro de 2016/2017.

O acréscimo foi de aproximadamente 28%, já que no ano passado as importações chegaram a US$ 98.635.636 e neste ano o montante foi de US$ 125.930.289, gerando diferença de US$ 27,2 milhões.

Docente da Faculdade de Ciências Aplicadas da Unicamp (Universidade Estadual de Campinas), Cristiano Morini, graduado em relações internacionais e mestre em integração latino-americana, falou que janeiro de 2016 foi um mês atípico, uma vez que se analisados os números dos três últimos meses do ano passado é possível verificar a tendência de menor exportação em 2017.

Conforme o relatório do Mdic, os valores das exportações em Piracicaba em outubro, novembro e dezembro do ano passado foram, respectivamente, de US$ 95,9 mi, US$ 82,3 mi e US$ 89,08 mi.

“A valorização do real certamente vai afetar o valor exportado em 2017. No final do ano passado, as previsões de mercado indicavam a projeção de US$ 1 para R$ 3,90. A projeção do Banco Central era de US$ 1 para R$ 3,45, no entanto, hoje está US$ 1 para R$ 3,13. Há muita instabilidade na economia internacional e nacional para sabermos a tendência do dólar no ano”, comentou Morini, acrescentando que o que dificulta qualquer projeção do valor do dólar e, consequentemente, do valor das exportações são atualmente quatro fatores principais: política econômica do presidente Donald Trump, eleições na França (março) e Alemanha (setembro), desdobramentos da Lava Jato no Brasil e reformas propostas pelo presidente Michel Temer.

Ainda segundo o professor, Piracicaba depende muito das exportações para os EUA, sendo que a economia estadunidense, de acordo com ele, tem de “caminhar bem”, apesar das polêmicas do presidente Trump. De acordo com o Mdic, EUA foi o país para o qual a Noiva da Colina mais exportou em janeiro deste ano, o que rendeu US$ 17,9 milhões.

“Se a economia dos EUA crescer menos ou as políticas protecionistas (Buy America = Compre América) do presidente Trump prevalecerem, haverá uma queda significa nas exportações de Piracicaba. Há muitos ingredientes de inconstância no ano de 2017 nas exportações”, avaliou.

Em contrapartida, Morini disse que há tendência de aumento das exportações dos automóveis produzidos aqui para a América Latina.

“Um aspecto importante é que Piracicaba importa para exportar, portanto, o valor das importações é um indicador importante para sabermos se as exportações vão cair ou não. Antes das exportações caírem, o valor das importações devem cair. Caterpillar e Hyundai, os grandes players do comércio internacional, em termos de valor, em Piracicaba, demandam muitos componentes e subcomponentes do exterior. Se as importações caírem, isso indica que as exportações serão menores”, explicou.

 

FONTE: Jornal de Piracicaba