A frota de Piracicaba deve atingir a marca de 300 mil veículos até o fim do mês de abril, segundo projeção feita pela Semuttran (Secretaria Municipal de Trânsito e Transportes), a pedido do Jornal de Piracicaba.

Atualmente, o número de veículos licenciados na cidade é maior que a quantidade de pessoas com idade para dirigir.

A estimativa tem como base o número de novos emplacamentos diários feitos pelo Detran (Departamento Estadual de Trânsito) e dados da Fundação Seade (Sistema Estadual de Análise de Dados).

O levantamento mais recente feito pelo município, em janeiro, aponta a existência de 298,7 mil veículos registrados em Piracicaba, o que, com o crescimento contínuo, em menos 50 dias deverá atingir os 300 mil.

De acordo com a Fundação Seade, em 2016 a quantidade de veículos licenciados na cidade superou o volume de pessoas com idade para dirigir no município.

Segundo o órgão paulista, são 283,3 mil indivíduos com mais de 18 anos em Piracicaba, o que resulta em 1,06 veículos por pessoa com idade para dirigir.

A frota do município contabilizada em 2017 indica que houve um um aumento de aproximadamente 20 mil veículos na comparação com os dados de 2015.

Há dois anos existiam 280,2 mil veículos licenciados na cidade, dos quais 168.725 eram carros de passeio.

Atualmente, são 178.036 automóveis em circulação.

De acordo com dados do Denatran (Departamento Nacional de Trânsito), desde o início do século XXI, o número de veículos registrados em Piracicaba cresceu três vezes e meia, partindo de 85 mil, em 2001, para os quase 300 mil dos dias atuais.

Na opinião do especialista em Trânsito e membro do conselho deliberativo do IBCT (Instituto Brasileiro de Ciências do Trânsito), José Almeida Sobrinho, o crescimento resulta dos incentivos oferecidos pelo governo e indústria principalmente para a aquisição de automóveis e motocicletas.

“A redução de impostos e o aumento no prazo de pagamento impulsionaram muito o aumento na frota.

Por outro lado, é preciso ter ciência que a solução para o problema no trânsito vai além da abertura de novas ruas e avenidas.

Quanto a isso, em boa parte das cidades, inclusive em Piracicaba, não há mais o que ser feito”, disse. Segundo ele, uma das alternativas para redução deste problema, já em curso, trata-se dos serviços de transporte individual, como o Uber — que recentemente começou a operar na cidade.

“Existe uma boa perspectiva de que estes novos aplicativos de transporte individual ajudem a frear um pouco a compra de novos veículos, pois com o preço razoável do transporte, a pessoa opta pelo serviço. Além disso, existem os aplicativos de compartilhamento de veículos que funciona bem em outros países e em breve chegará com força por aqui. Mas enquanto não funcionarem efetivamente, teremos que conviver com os problemas atuais”, relatou.

Quanto a utilização do transporte público, Sobrinho apontou que este modal será uma alternativa viável apenas quando oferecer plenas condições de segurança, confiança, pontualidade e capilaridade aos usuários.

“Ninguém anda de ônibus porque quer, mas porque precisa e não tem outra alternativa. Ocorre que, curiosamente, essa modalidade tem piorado ao invés de melhorar”, disse. Sobrinho destacou ainda que os transtornos gerados pelo aumento no número de veículos em circulação vai além dos congestionamentos e acidentes.

“O trânsito influencia diretamente no estado mental dos indivíduos e a dificuldade para chegar de um ponto a outro afeta significativamente a sua qualidade de vida”, relatou.

 

 

FONTE: Jornal de Piracicaba