Os piracicabanos começaram a contar com a queda do preço do etanol nesta semana, enquanto outros municípios do Estado já tinham reduzido o valor do combustível cobrado nos postos ainda antes do Carnaval. A informação é de Antonio de Padua, diretor da União da Indústria de Cana-de-Açúcar (Unica).
Nesta terça-feira (7), um posto da cidade estava com preço de R$ 2,47 o litro. O valor médio apurado pela Agência Nacional de Petróleo (ANP) para a semana de 26 de fevereiro a 4 de março, era de R$ 2,67.
Padua comentou que em Ribeirão Preto (SP), na semana antes do Carnaval, o etanol era vendido ao preço médio de R$ 2,41 e baixou na semana passada para R$ 2,35. Em São José do Rio Preto (SP), o combustível já era encontrado, na semana passada, a R$ 2,44 o litro. Em Bauru (SP) está esse mesmo valor e, em Franca, que estava a R$ 2,32, passou para R$ 2,56 na semana passada.
“Houve redução nos preços nas usinas, mas essa queda, até chegar ao consumidor, é lenta e parece que os postos de Piracicaba estão demorando mais a reduzir o valor”, afirmou Padua. “A queda ocorre porque houve queda do consumo em janeiro, de cerca de 800 milhões de litros, a safra está para ser iniciada e as usinas precisam fazer caixa. A demanda do mercado é que determina os preços”, disse.
Dados da ANP indicam que entre 19 e 25 de fevereiro, o etanol estava R$ 2,69 (valor médio) em Piracicaba, 74,17% do preço da gasolina, de R$ 3,63. Na semana passada, o etanol estava com valor 73,72% (R$ 2,67) frente à gasolina (R$ 3,62).
Segundo o Indicador do Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (Cepea) da Escola Superior de Agricultura Luiz de Queiroz (Esalq/USP) De 1º a 3 de março, o valor do etanol hidratado foi de R$ 1,5662/litro (sem ICMS e PIS/Cofins), queda de 1,2% frente à média da semana anterior.
“Esse combustível está em queda há 12 semanas seguidas. Para o anidro, que vem se desvalorizando há dois meses, o Indicador da última semana foi de R$ 1,6734/l (sem PIS/Cofins), recuo de 2,4% sobre a anterior”, informou o órgão.
Segundo pesquisadores do Cepea, algumas usinas seguem ofertando volumes significativos, visando liberar os tanques para a nova temporada (algumas unidades até já iniciaram a moagem). “Do lado da demanda, distribuidoras vêm trabalhando com estoques adquiridos anteriormente e/ou com produto negociado por meio de contratos, reforçando a pressão sobre as cotações. Estes demandantes esperam para repor estoques”, avaliam.
O diretor patrimonial da Cooperativa dos Plantadores de Cana do Estado de são Paulo (Coplacana), José Rodolfo Penatti, afirmou que a tendência de queda sempre ocorre antes do início da safra e que agora também foi motivada pelo consumo retraído do etanol, que deixou de ser competitivo frente à gasolina.
“O ideal é que o litro custe 70% o valor da gasolina. Deveria estar R$ 2,50 o litro, mas não pode cair muito porque prejudicaria a remuneração do produtor”, afirmou.
FONTE: Gazeta de Piracicaba