Com o apoio de inúmeras entidades foi realizado, na última sexta-feira (17), na Câmara de Vereadores de Piracicaba, um ato contra a PEC 287/2016 que dispõe sobre a reforma na Previdência Social. Trata-se da campanha “Reforma da Previdência NÃO!”, que tem como meta mobilizar os piracicabanos contra a proposta do governo federal de alterar as regras para a concessão de aposentadorias e benefícios.
A campanha é bancada pelo próprio Legislativo local e tem o apoio intersindical e de demais entidades do município. O plenário da Câmara ficou lotado por populares interessados no assunto. Antes e durante os debates foram apresentados vídeos explicando como os trabalhadores poderão ser prejudicados se a PEC passar.
O presidente da Câmara, vereador Matheus Erler (PTB), disse que o primeiro encaminhamento da campanha é reunir milhares de nomes em um abaixo-assinado que será entregue o mais rápido possível ao presidente Michel Temer (PMDB) e ao Congresso Nacional. Também haverá mais atos com a presença de especialistas no assunto. Em seu discurso, ele classificou a PEC 287 (Projeto de Emenda Constitucional) como “terrorista”. Dentre as polêmicas da PEC estão a contribuição por 49 anos e nova regra da idade mínima de 65 anos para homens e mulheres.
Erler procurou convencer de que do jeito que está a PEC, na verdade, destruirá a aposentadoria. Os trabalhadores de hoje e de futuras gerações serão prejudicados se a reforma passar, segundo disse ele. “O discurso do governo é mentiroso”, disse Erler, que é advogado especialista em assuntos previdenciários. “A Previdência não é deficitária. De 2005 a 2015 teve um superávit de R$ 650 bilhões”, apontou.
Erler afirmou que todos os 23 vereadores da cidade apoiam a campanha contra a reforma. Para o vereador Paulo Campos (PSD), o conceito de reforma está sendo deturpado nessa PEC. “Quando se reforma uma casa, busca-se melhorá-la. Mas no caso da proposta da reforma da Previdência, vai se destruir um direito do trabalhador brasileiro”, disse.
Apoios
De acordo com o site do Legislativo, a campanha tem como parceiros o Conespi (Conselho das Entidades Sindicais de Piracicaba), a OAB (Ordem dos Advogados do Brasil), 8ª Subsecção, o Colegiado das Lojas Maçônicas de Piracicaba e Região, o Conselho de Pastores de Piracicaba, o Sindireceita (Sindicato Nacional dos Analistas Tributários da Receita Federal), a Aojesp (Associação dos Oficiais de Justiça do Estado de São Paulo), o Sindifisco Nacional, além da Prefeitura.
O secretário geral do Sindicato dos Metalúrgicos de Piracicaba, Wagner da Silveira, o Juca, disse que o sindicato estará em breve nas portas das fábricas colhendo nomes para o abaixo-assinado contra a reforma. “O que a Previdência precisa é de uma auditoria e de uma CPI”, disse.
Para Mário Medeiros Neto, presidente da Associação dos Oficiais de Justiça do Estado de São Paulo, existe uma guerra de informações sobre a Previdência. “Do jeito que está a proposta de reforma, o trabalhador nunca vai se aposentar”, afirmou.
FONTE: Gazeta de Piracicaba