O tempo de seca traz a reboque uma antiga preocupação à população de Piracicaba: o risco do carrapato estrela, o transmissor da febre maculosa. Segundo a Secretaria Municipal de Saúde, de janeiro a abril a cidade registrou quatro casos da doença, sendo que dois evoluíram para óbito.
Durante a estiagem, que teoricamente se estende até setembro, áreas verdes, matas ciliares e zonas próximas a lagoas e rios registram a proliferação do carrapato. E a capivara é o principal hospedeiro desse parasita. Por isso, a pasta recomenda cuidado para quem gosta de frequentar essas regiões.
“É preciso muito cuidado quando se faz um piquenique com a família em áreas verdes ou, por exemplo, quando se vai pescar, porque as pessoas ficam expostas ao carrapato”, declara Eliane Carvalho, médica veterinária e coordenadora do Centro de Controle de Zoonoses (CCZ). A orientação da profissional técnica não é de alarme, mas de alerta, para que se evite a permanência principalmente às margens dos mananciais, porque não são seguras.
O popular micuim, frisa a veterinária, é o carrapato na fase jovem e, se estiver contaminado, também é capaz de transmitir a febre maculosa. “Muitas vezes as pessoas relatam que foram em áreas verdes e pegaram apenas micuim. Na verdade, pegaram carrapato. É preciso ter essa consciência para que se tenha um diagnóstico seguro em caso de suspeita da doença”, alerta.
Para quem se expôs em áreas de risco, é recomendável fazer um “check-up” no corpo para ver se não há nenhum carrapato preso à pele. Caso haja, o carrapato deve ser “retirado imediatamente, antes que ele se fixe, tenha contato com a corrente sanguínea e transmita a bactéria causadora da febre maculosa, caso esteja contaminado”.
Os sintomas da doença podem demorar de dois a 14 dias para se manifestar. Os principais são: febre alta, dor no corpo, dor de cabeça, inapetência, desânimo e manchas vermelhas.
De acordo com a pasta, em 2015 a cidade contabilizou quatro ocorrências de febre maculosa, sendo que três deles acabaram em mortes. Em 2016 também houve quatro casos da doença, sendo que dois foram fatais.
Tratamento
De acordo com a Secretaria Municipal de Saúde, a febre maculosa tem cura desde que o tratamento com antibióticos (tetraciclina e clorafenicol) seja introduzido nos primeiros dois ou três dias.
“Atraso no diagnóstico e, consequentemente, no início do tratamento pode provocar complicações graves, como o comprometimento do sistema nervoso central, dos rins e pulmões, das lesões vasculares e levar ao óbito”, informa.
Os cavalos também podem se tornar hospedeiros do carrapato estrela. Já os cães não, embora também devam ser monitorados constantemente. “Os cães não são hospedeiros e não são agentes naturais no processo de transmissão da febre maculosa. Mas, ocasionalmente, podem transportar o carrapato contaminado para o local onde vivem, se eles tiverem acesso a áreas de infestação. Daí a importância de mantê-los sempre limpos”, observa Eliane.
FONTE:Gazeta de Piracicaba















