A recuperação da Indústria de máquinas e equipamentos na região de Piracicaba dependerá da continuidade de números positivos nos negócios. Por enquanto, os dados não permitem apontar melhorias antes do próximo ano. Medidas provisórias ameaçam ampliar custos, o que será ruim para o setor. Já as políticas de incentivo anunciadas pelo governo esbarram nas altas taxas de juros. A turbulência Política também afeta os investimentos.
A situação foi apresentada pela Associação Brasileira da Indústria de Máquinas e Equipamentos (Abimaq), em São Paulo, durante entrevista coletiva acompanhada na Sede Regional de Piracicaba. Os investimentos medidos pelo consumo aparente de máquinas e equipamentos registraram crescimento em junho último.
Porém, no mês, o crescimento de 5% somados aos 17,6% de maio passado não foram suficientes para reverter a queda de 23,3% sofrida em abril.
Na comparação inter-anual, a queda de 44,2%, é a 12ª consecutiva e a mais intensa devido às importações ocorridas em junho do ano passado pela usina de Pecem, no valor de US$ 800 milhões, que elevou fortemente a base de comparação. Com estes resultados, no semestre, o consumo acumulou queda de 26,2%.
As vendas realizadas pela Indústria de Bens de Capital cresceram 2,4% em junho. Na comparação inter-anual, a receita líquida voltou a apresentar resultado negativo, com recuo de 2,5%, após interromper uma sequência de 25 quedas consecutivas em maio último. No ano, o setor continua acumulando forte queda (6,7%), puxada principalmente pela valorização do real.
Em 2017, o setor manteve o comportamento sazonal, em níveis inferiores aos observados nos anos anteriores. Na ponta, considerando o mês passado, a receita de R$ 6 bilhões foi 43% menor do que nos meses de junho no período pré-crise (2010-2013).
Juros altos
Para o diretor regional da Abimaq, José Antônio Basso, o reflexo na indústria de Piracicaba, Limeira e Campinas estará atrelado ao comportamento da economia nacional. A instabilidade política e econômica afeta até mesmo o comportamento sazonal do segmento.
“A partir de maio, esperávamos iniciar a recuperação dos números ruins registrados em 2016 e nos quatro primeiros meses desse ano. Mas o que está ocorrendo é uma movimentação natural do mercado, ainda distante de trazer essa recuperação”, disse Basso.
Segundo ele, mesmo ações de incentivo, como liberação de recursos por parte do governo, são contaminadas pela instabilidade política. Há casos, lembra Basso, em que o financiamento apresenta taxa de juros de 16% ao ano, o que inviabiliza o investimento por parte do cliente da Abimaq.
O presidente do Conselho de Administração da Abimaq, João Carlos Marchesan, alertou que parte das medidas provisórias editadas pelo governo acaba por apenas ampliar a receita pública, sem alterar o cenário para negócios.
Somente no caso da folha de pagamento, a reoneração do segmento significará perto de 40 mil demissões. A Indústria de máquinas e equipamentos encerrou o mês de junho desse ano com 290,8 mil pessoas ocupadas, redução de 15,3 mil postos de trabalho em relação a junho do ano passado. Foi a 42ª queda consecutiva no número de empregos no setor.
FONTE: Gazeta de Piracicaba














