Wagner da Silveira avalia reflexos negativos da reforma trabalhista

Presidente eleito do Sindicato dos Trabalhadores Metalúrgicos de Piracicaba e região e do Conespi (Conselho de Entidades Sindicais de Piracicaba) ocupou (23/11) a tribuna popular.

Wagner da Silveira ocupou a tribuna popular, na 68ª reunião ordinária, por 10 minutos, em nome da diretoria dos Metalúrgicos e do Conespi, para abordar diversos aspectos da recente reforma trabalhista aprovada pelo governo Temer e, que já traz prejuízos ao trabalhador. “A situação é preocupante, da forma como foi vendida. Foi uma enganação e falsidade para se passar a reforma. Não se falou da verdade, do que vai acontecer com ele”, disse o sindicalista.Wagner demonstra que hoje, o presidente sanciona portaria dizendo que o ministério do Trabalho não mais fiscalizará o trabalho escravo. “Levaremos uma reflexão às portas dos trabalhadores”, disse o sindicalista, que também apontou diferentes pontos como pegadinhas.

Segundo Wagner, agora a empresa terá até 110 dias para fazer a rescisão, o que penaliza o trabalhador. A nova lei fala que a empresa pode pagar depois dos dez dias do final de seu contrato. Se tem 30 anos, terá três dias de aviso por ano. “Como vai sobreviver 100 dias sem dar entrada no seguro desemprego e sem salário. Outra situação é a questão da homologação, que não mais será feita no Sindicato. Que trabalhador tem a condição de saber se aquilo que vai receber está certo”, questionou o sindicalista.

Wagner também indaga sobre qual advogado vai ter coragem de pegar uma causa de 500 reais. “Nós metalúrgicos sabemos como fazer. Meteremos o caminhão na porta da empresa, sem sair de lá”, disse.

A reforma trabalhista fala de geração de emprego, mas o que gera emprego é investimento. No contrato intermitente, a  empresa só chamará o trabalhador quando precisar. As pessoas não terão condições de gastar no comércio, comprar uma casa ou outro bem maior. Na Espanha, o presidente do banco central está pedindo para voltar o que era antes, pois ninguém consome mais para gerar a economia.

Sobre a quitação de contrato anual, Wagner mostra que isso é bonito só no nome, sendo que a empresa vai poder chamar o trabalhador e dizer que não deve mais nada para ele. Como fica a situação de hoje se o trabalhador não sabe se seu fundo de garantia está em dia. “Este ano nossa lista foi em cima da convenção coletiva, que garante a todo trabalhador um salário mensal, cesta básica, tendo suporte para que ele possa ter sua dignidade e qualidade de emprego. Nossa luta não foi pelo salário. Lutamos em prol da dignidade, precisamos lutar para crescer este país”, concluiu o sindicalista.

O vereador Paulo Campos (PSD) solicitou pela ordem para falar do didatismo com que o sindicalista discorreu sobre o tema e, falou que a reforma é um retrocesso ao trabalhador, causando insegurança jurídica, medo, risco de perder a demanda e ter que pagar as sucumbências.

O vereador Relinho (PSDB) também solicitou pela ordem para lembrar que a reforma trabalhista, após o governo Temer vai se constatar que foi o pior governo do pais, pois estão entregando o Brasil a pequenos grupos empresariais, voltando a reinar a miséria, na condição de escravos.

 

FONTE: Assessoria de Imprensa da Câmara dos Vereadores / Fotos: Fabrice Desmonts