Caterpillar, Romi e Raízen promoveram, nesta segunda-feira (26), o Circuito Virtuoso da Indústria de Óleo e Gás em São Paulo. No evento, mostraram que têm qualidade, competitividade e que estão prontas para atender o crescimento do setor – com os leilões realizados pelo governo federal e a retomada da Economia. Para isso, informaram que precisarão de mais pessoas e novas vagas de emprego serão criadas na cidade e na região. O presidente da Caterpillar Brasil, Odair Renosto, afirmou que a empresa deverá abrir novas contratações antes do término do primeiro semestre deste ano.
“Com a possibilidade do aumento da demanda, vamos precisar de mais pessoas na área operacional. No administrativo, o que temos é suficiente, mas, na produção, não há excedente e precisaremos de mais pessoas”, afirmou.
Segundo ele, as vagas a serem abertas são para as funções de montador, mecânico, soldador, operador logístico e de qualidade. O número de contratações não foi informado.
“Algumas dessas funções exigem mais conhecimento técnico, mas também vamos precisar de ajudantes”, ressaltou.
A área beneficiada da Caterpillar pelo petróleo é a Power Systems, onde foi promovido o evento, nesta segunda-feira. Nela, atuam 104 funcionários na produção de geradores de energia para embarcações e plataformas petrolíferas, além da fabricação de propulsores.
O presidente da Romi, Luiz Cassiano Rando Rosolen, também afirmou que os anos 2018 e 2019 devem ser de crescimento gradativo e contínuo e que isso vai gerar emprego não só nas grandes empresas, como nas pequenas e médias.
“Nós vamos contratar, ainda não é possível definir quantas vagas serão abertas e tenho observado que nossos clientes, empresas menores, também estão mais aquecidos e devem contratar pessoal”, afirmou.
A Raízen, com o início da safra em março, também faz contratações neste período do ano.
A joint venture entre a Cosan e a Shell conta com cerca de 30 mil funcionários. A Caterpillar tem 4,9 mil funcionários, sendo 3,8 mil em Piracicaba, além de outros 4,7 mil na rede de revendedores.
A Romi conta com cerca de 1.450 trabalhadores na unidade de Santa Bárbara D’Oeste (SP) e um total de 1,8 mil no mundo. A Romi produz peças e equipamentos para a Indústria do óleo e do gás, como tornos e mandrilhadoras.
Setor
De acordo com dados da Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp), o setor de óleo e gás representa 2,6% do Produto Interno Bruto (PIB) do Brasil e emprega cerca de 550 mil trabalhadores no País.
“Entre 2004 e 2014, o setor recebeu investimentos de R$ 19 bilhões. A produção brasileira é de 2,6 bilhões de litros de óleo por dia e 115 milhões de metros cúbicos de gás. O petróleo e os derivados ainda não vão se exaurir em detrimento da Indústria, ainda serão utilizados por mais de 30 anos. Virão as energias renováveis, mas o setor ainda tem muito a crescer”, informou Julio Díaz, diretor de Infraestrutura do Ciesp e da Divisão de Energia, no evento.
Ele ressaltou que o Circuito ajuda a estimular uma política de produção nacional, apresenta novos desafios para a Indústria, “que não deve lamentar a lei de redução em cerca de 50% da exigência de conteúdo local nas novas contratações de equipamentos usados nas operadoras”.
“É preciso buscar competência e tecnologia”, afirmou, a respeito da exigência de que os equipamentos usados pelas operadoras que venceram os leilões do setor de exploração de petróleo podem importar mais peças do que previsto na lei anterior. Renosto afirmou que a região mostra que a crise ficou para trás e que as empresas já superaram a questão da nacionalização.
“Fizemos essa experiência e foi um sucesso em nível de qualidade e competitividade. A exportação está crescendo e é prova de que estamos estruturados. É preciso rever o sistema tributário, porque a lei de tributação foi elaborada apenas para a venda doméstica, o que traz alguns entraves burocráticos que precisam ser solucionados”, afirmou.
O representante da Secretaria de Minas e Energia do Estado de São Paulo, Ricardo Cantarani, ressaltou que a expertise paulista sempre foi no refino do petróleo, na distribuição dos combustíveis e do gás natural.
“Com o evento do pré-sal em 2007/2008, a Petrobras veio para a Bacia de Santos e o Estado já é o segundo maior produtor com quase 500 mil barris de petróleo por dia e a Indústria paulista passou a ter maior importância no setor”, afirmou.
Superação
Marcos Assayag, presidente da Organização Nacional da Indústria do Petróleo (Onip), afirmou que essa terceira etapa do Circuito Virtuoso mostrou que o País tem polos industriais capazes de enfrentar a concorrência internacional, “até mesmo a asiática. E com os leilões do pré-sal, com a chegada de novas operadoras, as reformas da Bacia de Campos (RJ) e dos campos terrestres no Nordeste, haverá geração de demanda de bens e serviços.
Ainda há problemas a serem superados, como falta de mão de obra, custo do capital, mas, mesmo assim, somos capazes de superar todas as dificuldades e muito, como esses exemplos que vimos hoje (nesta segunda-feira), da Caterpillar, da Romi e da Raízen, que além do etanol de segunda geração também vai produzir biogás”, comentou.
O vice-presidente de Etanol, Açúcar e Bioenergia da Raízen, João Alberto de Abreu, ressaltou no evento que investiu em duas plantas para produção do etanol de segunda geração, produzido a partir da biomassa da cana-de açúcar, como a palha e o bagaço, com capacidade para aumentar em 40,5% a capacidade de produção de etanol da Raízen, com a mesma área plantada.
“Já exportamos 17 milhões de litros de etanol 2G e estamos concluindo a planta de produção de energia a partir do biogás, produzido a partir da transformação da matéria orgânica residual da produção, como a vinhaça e a torta de filtro. Essa usina terá capacidade para gerar 20 megawatts”, disse.
Evento reúne poder público e empresas do setor
O Circuito Virtuoso da Indústria de Óleo e Gás em São Paulo foi o terceiro a ser realizado. O projeto foi lançado em 2017 pela Onip e Ministério de Minas e Energia. A primeira edição aconteceu no Maranhão e a segunda, no Espírito Santo.
Entre as autoridades presentes, nesta segunda-feira, estavam o prefeito Barjas Negri (PSDB), o prefeito de Santa Bárbara D’Oeste (SP), Denis Eduardo Andia, e o secretário de Emprego e Relações do Trabalho do Estado, José Luiz Ribeiro.
Barjas ressaltou que a região de Piracicaba é produtora de máquinas e equipamentos pesados há mais de 50 anos. “Todas as Indústrias da região superaram todas as crises. Eventos como esses permitem a busca de soluções e a troca de experiências entre as empresas, que contribuem para a retomada da atividade e geração de empregos”, disse.
Também estavam representantes da Sotreq, Solar e Mitsubishi Compressores, além de representantes de entidades do setor da Indústria e de empresas da região, fornecedoras de bens e serviços do setor de óleo e gás. O próximo Circuito será na cidade de Paranaguá (PR).
FONTE: Gazeta de Piracicaba















