A greve dos caminhoneiros que atinge as estradas da região desde a última segunda-feira pode comprometer o abastecimento dos ônibus que operam o transporte público em Piracicaba. Caso os caminhões que transportam o combustível que abastece a frota da Via Ágil – empresa que explora o serviço na cidade – não consigam chegar hoje à concessionária, a circulação dos coletivos pode sofrer alteração a partir de amanhã, conforme informou a assessoria de imprensa da empresa.
De acordo com o setor de comunicação, está prevista a entrega de combustível às 7h de hoje. Na falta desse combustível, a empresa colocará em prática um planejamento estratégico das linhas ja à partir de hoje. Na prática, o abastecimento dos coletivos passará a ser feito conforme os quilômetros percorridos em cada linha. O abastecimento que deveria ocorrer hoje garante a circulação da frota durante os próximos dois dias. A assessoria classificou a situação como estado de alerta.
O óleo diesel que abastece os 220 ônibus da Via Ágil é proveniente da Replan (Refinaria de Paulínia). Na amanhã de ontem, caminhoneiros enfrentavam filas de até um quilômetro para entrar na refinaria. Ontem ocorreu o segundo protesto da semana contra o aumento do preço do diesel na Rodovia Professor Zeferino Vaz (SP-332), em Paulínia, próximo à refinaria. A manifestação, que teve início às 4h40, ocorreu nas proximidades da Replan. Proprietários de postos de combustíveis das cidades da região de Campinas, abastecidos pela Replan, já apontam atrasos na entrega de produtos.
A paralisação dos caminhoneiros autônomos acontece em 21 estados brasileiros . No estado de São Paulo, motoristas de caminhão da Capital, RMC (Região Metropolitana de Campinas), Santos, Bauru, Ribeirão Preto, Presidente Prudente, São Carlos, Araraquara e Sorocaba têm demonstrado apoio contra os consecutivos aumentos do preço dos combustíveis. Só neste mês foram 15 mudanças nos valores dos combustíveis.
Caminhoneiros protestam pelo 2º dia
Piracicaba registrou o segundo dia consecutivo de protestos contra os aumentos do preço do óleo diesel. Ontem, as manifestações se concentraram no quilômetro 169 da Rodovia Geraldo de Barros (SP-304), entre Piracicaba e Artemis, no bairro Santa Teresinha, e na altura do quilômetro 223, em Santa Maria da Serra. Na Rodovia Cornélio Pires (SP-127), os caminhoneiros se concentraram perto do Parque Zoológico de Piracicaba. A greve pode afetar o abastecimento nos postos de combustíveis da cidade.
Os manifestantes receberam o apoio da Ampiesp (Associação dos Motoristas Particulares do Interior do Estado de São Paulo), com sede em Piracicaba, que disseram lutar pela mesma causa: a diminuição no preço do combustível. “Estamos sendo afetados por um problema que não foi criado pelos trabalhadores desse país. Os caminhoneiros tiveram coragem de parar. O objetivo de todos é o mesmo”, explicou o presidente da associação, Felipe Zotarelli Alcarde.
“Sabemos que o problema não é diretamente causado pelos postos de gasolina e pela população em geral, que vai acabar sofrendo com o desabastecimento de combustível, de supermercado, gás e de farmácia, mas é a única forma que temos de pressionar o governo para que façam alguma coisa”, explicou o secretário da Ampiesp, Cláudio Scarpare.
Segundo o Recap (Sindicato do Comércio Varejista de Derivados de Petróleo de Campinas e região), o movimento tem legitimidade, mas espera bom senso de ambas as partes, caminhoneiros e petroleira, para que a situação volte à normalidade. Segundo o sindicato, a partir de hoje, poderá ocorrer falta de combustível nos postos de Piracicaba.
O comerciante Anderson Guerra, 44, disse ontem que está à espera do caminhão para o abastecimento das bombas. “Até o momento não senti um impacto direto por causa da greve, mas em dois dias isso vai acabar me afetando.”,disse o proprietário do posto Apollo Combustíveis, no bairro Alto.
Abastecimento pode ficar comprometido
A Ceagesp de Piracicaba (Companhia de Entrepostos e Armazéns Gerais de São Paulo) informou que a greve dos caminhoneiros ainda não afetou significativamente a distribuição dos produtos, porém, se persistir as paralisações, os efeitos serão sentidos na próxima semana. A AB Colinas obteve ontem de manhã uma liminar da justiça que impede bloqueios de caminhoneiros nas rodovias sob sua concessão.
A greve dos caminhoneiros teve impacto direto na falta de produtos do setor alimentício e na alta dos preços dessas mercadorias, nos demais estados do país. Como os alimentos não conseguem chegar aos centros de abastecimentos por estarem presos nas estradas que estão parcialmente interditadas, os que estão à venda nos supermercados estão com preços superfaturados, segundo especialistas.
Para o economista e professor de economia da Unimep (Universidade Metodista de Piracicaba), Bruno Pissinato, 32, a greve gera impacto na questão do abastecimento.”Com o menor fluxo de bens entregues, a oferta diminui, e isso eleva as cotações. A própria expectativa de desabastecimento pode levar a uma corrida aos mercados, para formar estoque de emergência, também alavancando os preços para cima”, explica Bruno.
Para Pissinato, o diesel é um componente importante dos custos de transporte.”O que vem a tona, dentro do pleiteado pelos caminhoneiros, é que, apesar do diesel estar acumulando altas nos últimos tempos, o preço do frete está ‘congelado‘. A diminuição do frete pode vir de redução de alíquotas como do ICMS, aliviando os demais”, explica o economista.
CONTRÁRIO— Em nota, a Fiesp (Federação das Indústrias do Estado de São Paulo) manifestou preocupação e indignação em relação à greve dos caminhoneiros. “Espera-se que em um prazo curto seja construído um entendimento para que a situação volte à normalidade”, afirmou o presidente, Paulo Skaf.
Caminhoneiro tenta furar bloqueio e é agredido
Um caminhoneiro teve o para-brisa no veículo quebrado por uma pedra e foi agredido pelos manifestantes que também teriam levado a chave dele, após tentar furar o bloqueio. A confusão aconteceu na manhã de ontem, na SP-127 (Rodovia Cornélio Pires), próximo ao zoológico, de acordo com a Polícia Militar, que está dando apoio à PM Rodoviária. O motorista teria ficado horas parado juntos aos manifestantes às margens da rodovia. Ele entrou no caminhão e se preparava para sair, quando foi proibido pelos manifestantes.
O comandante da Força Tática, capitão Antonio Carlos Rugero Filho, disse que as equipes da PM acompanharam o movimento em vários pontos da rodovia ao longo do dia. “As equipes estiveram posicionadas em apoio ao Polícia Militar Rodoviária para preservar pela integridade física das pessoas que têm a liberdade de escolher se querem participar das atividades ou não. Já que a participação deve ser voluntária, durante o exercício da democracia. A partir do momento que interfere no direito de escolha deixa ser democracia”, explicou o capitão.
FONTE: Jornal de Piracicaba















