Mais de cinco mil trabalhadores de empresas metalúrgicas de Piracicaba tiveram o expediente modificado por causa da paralisação dos caminhoneiros. Sem peças e com redução dos estoques de alimento e gás, as metalúrgicas comunicam o Sindicato da categoria sobre mudanças e revezamentos na linha de produção.
De acordo com o presidente do Sindicato dos Metalúrgicos de Piracicaba, Wagner da Silveira, o Juca, a entidade está negociando banco de horas e outras medidas de compensação do período em que os trabalhadores tiverem de ficar afastado para “mais para frente não prejudicar demais o metalúrgico, porque o setor perdeu cerca de 50% dos empregos e investimentos nos últimos anos”, disse.
Um exemplo é a Hyundai Motor Brasil, que não tem expediente desde a última sexta-feira (25). Em nota oficial, a montadora coreana informou que as operações de produção em Piracicaba seguiram suspensas nesta segunda-feira (28) e continuam paradas nesta terça-feira (29). “A previsão da montadora é voltar a operar neste quarta-feira (30), dependendo da retomada do abastecimento de insumos”.
Juca explicou que a montadora não recebeu as peças importadas da Coreia. “Elas estão paradas no porto e isso afetou as linhas de montagem”, ressaltou. A Caterpillar Brasil informou que o expediente de trabalho foi normal nesta segunda-feira e será normal nesta terça-feira. “A empresa monitora a situação (da paralisação) e trabalha para minimizar os efeitos nos negócios”, informou, em nota.
Juca afirmou que a Caterpillar adotou uma forma de revezamento entre os funcionários que tem mantido o expediente. “O setor mais afetado na região é o Automotivo, que abrange várias empresas, por causa da falta de peças”, comentou.
O presidente do Sindicato das Empresas Metalúrgicas e de Metal Mecânica de Piracicaba e Região (Simespi), Roberto Chamma, afirmou que as empresas esperam, ao menos, 50% dos trabalhadores, porque muitos são de outras cidades, como Limeira (SP) e Americana (SP), e estão com dificuldades para chegar ao trabalho.
“As que não reduziram a linha de produção por falta de insumos compreendem a dificuldade para o funcionário chegar. É uma situação que não depende dele, porque a maioria utiliza o próprio veículo para ir ao trabalho e não o Transporte Coletivo”, comentou.
Chamma ressaltou, ainda, que se houver compensação pelos dias parados, será feito de forma individual com cada empresa, que “deverá encontrar uma solução, porque a culpa não é dos trabalhadores”. “Estamos vivendo uma situação nova, um movimento que nunca havia sido feito antes e que luta por um preço melhor dos combustíveis, do frete. Nossa preocupação é com outras paralisações que podem ser deflagradas a partir dessa”, disse.
Gás
Há empresas relatando que não estão recebendo gás para fazer a alimentação dos trabalhadores e nem alimentos para reabastecer o estoque. Já outras recebem o alimento de fornecedores e eles estão com dificuldade para fazer a entrega.
“Tem algumas empresas que relataram que estão sem gás para movimentar a empilhadeira. Esse movimento é algo que vinha sendo anunciado, mas o preço que foi o diesel era previsível isso acontecer. O trabalhador é afetado, há o desgaste de repor as horas paradas depois, mas a categoria dos caminhoneiros está lutando pelos seus direitos e cabe ao governo adotar as medidas para resolver o mais rápido possível essa situação”, declarou Juca.
Em Piracicaba e região atuam cerca de 15 mil metalúrgicos, conforme o presidente da entidade. “O Brasil precisa voltar a crescer para que a retomada dos investimentos ocorra no setor metal mecânico, um dos mais afetados pela crise, e é preciso dar valor a esses trabalhadores”, disse.
FONTE: Gazeta de Piracicaba