Em 7 meses, choveu em Piracicaba apenas um terço da média

Passados 6 meses e 20 dias, incluindo os dois meses mais chuvosos do ano (janeiro e fevereiro), choveu apenas 1/3 da média histórica anual na área que compreende as bacias dos rios Piracicaba, Capivari e Jundiaí (PCJ). Em média, chove 1.500 mm ao ano nas Bacias PCJ. Neste ano, o acumulado é de apenas 544 mm. No ano passado, as chuvas ficaram aproximadamente 200 mm abaixo da média histórica. Os dados são do Consórcio PCJ, que manifesta preocupação e orienta os serviços municipais de água, indústrias e agricultores a se prepararem para ficar mais “resilientes” ao que chama de “eventos climáticos extremos”.

O Consórcio PCJ entende que as mudanças climáticas decorrentes do aquecimento global podem ser a causa dos “eventos climáticos extremos”, como a estiagem que vivenciamos atualmente. A gerente técnica do Consórcio PCJ, Andréa Borges, atenta para a análise dos pesquisadores das entidades internacionais de trato com a água.
“O que temos visto em eventos e apresentações de estudos internacionais é que o aquecimento global afeta o comportamento das chuvas, o que tem impactado a gestão da água em todo o mundo. É necessário estarmos preparados para um futuro de instabilidade climática e é esse o objetivo das Metas da Sustentabilidade Hídrica: tornar nossas cidades mais resilientes ao clima e com disponibilidade de água para o atendimento da população, da indústria e do setor rural”, afirma a gerente.
As 22 metas do Consórcio PCJ foram elaboradas para os próximos 30 anos, “buscando assegurar água em quantidade e qualidade para o abastecimento público, industrial e rural, frente aos Desafios Climáticos”. Dentre as metas, destacam-se a redução das perdas hídricas para patamares abaixo de 20%, a implantação de Saneamento 100% (com 100% de tratamento e coleta de esgoto, e 100% de abastecimento de água potável). Também se estabeleceu como meta a redução do consumo de água para 110 litros por habitante/dia (esse índice atualmente nas Bacias PCJ está acima de 200 litros). A construção de reservatório é outra recomendação.
No último dia 18, o Jornal de Piracicaba publicou reportagem na qual informa que o chefe do departamento de Recursos Hídricos da Unicamp, Antônio Carlos Zuffo, projeta “duas ou três décadas” com chuvas abaixo da média histórica. O fenômeno, batizado de “efeito José”, seria consequência do ciclo solar.
FONTE: Jornal de Piracicaba