Sindicato dos Metalúrgicos de Piracicaba 70 ANOS de História: A Primeira Greve do setor metalúrgico em Piracicaba.

O ano de 1964 foi marcado por um fervilhar político no Brasil. No mês de março, o então presidente João Goulart anunciou as chamadas reformas de base. Tais reformas propunham mudanças pontuais na área da educação, fiscal, agrária e política. A maior parte dessas propostas foi adotada na constituição de 1988 que rege o país até os nossos dias. Porém, no início da década de 1960 o mundo passava pela Guerra-Fria que sustentou, em diferentes países, a noção de uma constante ameaça do comunismo.

Grupos conservadores da extrema-direita, como os militares, aproveitaram o clima de medo e acusaram as reformas feitas pelo presidente de serem propostas comunistas, conquistando o apoio de parte da classe média, de alguns empresários e também da Igreja Católica. No mês de março a igreja organizou a Marcha da Família com Deus pela Liberdade, uma marcha contra o governo e contra essas reformas. Nesse clima político, ocorreu entre os dias 31 de março e 1º de abril o Golpe Civil-Militar que instaurou a ditadura no Brasil.

Nesse mesmo mês de março de 1964 os metalúrgicos de Piracicaba deflagraram a sua primeira greve setorial na cidade. Antes mesmo do Golpe, a polícia já vigiava de perto operários, sindicalistas e partidos de esquerda levando cotidianamente seus representantes para deporem nas delegacias sobre toda e qualquer tipo de mobilização. Uma greve ou uma passeata era motivo para suspeita ou até mesmo uma detenção. Às vésperas do Golpe a situação era ainda pior.

Todavia, a condição da vida dos operários dentro e fora das fábricas se tornava cada vez mais difícil e os metalúrgicos piracicabanos enfrentaram o medo e decidiram pela greve, vista por eles como a única alternativa para a conquista de um aumento salarial que lhes permitisse uma vida digna.

Operários de todas as fábricas metalúrgicas de Piracicaba cruzaram os braços entre os dias 01 e 04 de março. A greve conquistou o apoio do prefeito do município Francisco Salgot Castillon que participou da assembleia dos metalúrgicos conclamada pelo sindicato e ocorrida no Ginásio de Esportes da cidade.

Ao fim do movimento os metalúrgicos conquistaram um significativo aumento salarial, porém a greve ocorrida em meio do Golpe Civil-Militar custou à liberdade de muitos operários e sindicalistas que foram perseguidos e presos após esse evento. A mobilização foi entendida pela polícia como um atentado a segurança nacional e, ainda que seus líderes não tivessem nenhum vínculo como o Partido Comunista Brasileiro, pessoas como o presidente do sindicato dos metalúrgicos de Piracicaba, Jaime Cunha Caldeira, foram apontadas como elementos comunistas.

Os anos que se seguiram ao Golpe foram particularmente difíceis para o movimento operário e sindical sob constante vigilância e repressão, mas a greve serviu como uma importante experiência de luta para a categoria que soube se mobilizar na busca de um mundo do trabalho mais justo para o trabalhador.