Reforma da Previdência

Por 379 votos a favor, e 131 contra, a reforma da Previdência foi aprovada (10/07), em 1º turno. Infelizmente, deputados federais, ligados ao governo e ao chamado “centrão”, que estão recebendo um bilhão e quinhentos milhões de reais do presidente Bolsonaro para aprovar esta reforma, estão praticando um atentado contra os trabalhadores. Na prática, é a chamada política Robin Hood às avessas: é que diferente da lenda de Robin Hood, que viveu na Inglaterra, na floresta de Sherwood, em que o herói roubava a nobreza para dar aos pobres, esta reforma da Previdência Social é para tirar dos pobres e dar para os ricos, enfim, deixar de cobrar dos ricos, das grandes empresas que não pagam o que devem à nossa Previdência Social.

Diante disso, temos que continuar trabalhando, e dentro das nossas forças, pressionar parar na votação no segundo turno e no Senado Federal que seja aliviado estes ataques aos trabalhadores, que terão muito mais dificuldade de se aposentar, além de ver reduzido o valor de uma futura aposentadoria. Não tem como todos conseguirem trabalho até os 65 anos de idade, no caso do homem, e 62 anos de idade no caso das mulheres. Por isso, se for mantido como foi aprovado, com certeza, estamos criando um país de miseráveis.

O governo diz que a reforma da Previdência deve economizar R$ 1,164 trilhão em 10 anos, sendo que R$ 1,072 trilhão será com as mudanças de regras para os civis, R$ 13,8 bilhões com servidores da União e R$ 92,3 bilhões com os militares das Forças Armadas, inclusive para estes ele já aliviou, juntamente com os deputados que não tem compromisso com os trabalhadores.

Como se vê, a reforma do governo Bolsonaro quer levantar quase R$ 1 trilhão nas costas dos trabalhadores, enfim, dos mais pobres que têm renda mensal de aproximadamente R$ 1.300,00 mensais. Estão de brincadeira com os trabalhadores e vamos denunciar estes deputados federais.

Se for mantido o texto conforme foi aprovado, os trabalhadores do regime geral, enfim, os da iniciativa privada, onde estão a maioria dos representados pelo Conespi, caso eles consigam, com muita sorte conservar um emprego com carteira assinada, amargarão uma piora significativa nas condições de aposentadoria. É que além da elevação da idade mínima, está sendo mudada as médias que interferem no cálculo da aposentadoria.

Hoje, o valor da aposentadoria é calculado levando-se em conta 80% dos salários recebidos. Desprezam-se os 20% de contracheques menores. Nessa conta, a aposentadoria é puxada para cima. Com a reforma, passam a ser considerados 100% dos salários, empurrando a média para baixo. Pior será para quem não conseguir manter o emprego e os anos de contribuição exigidos.  Sem dúvida, os trabalhadores e os mais pobres serão os principais prejudicados e não vamos nos calar.  Vamos continuar denunciando e defendendo que somente com o governo cobrando de todos que devem à Previdência, com uma reforma tributária justa, que gere desenvolvimento e emprego e, consequentemente, com mais trabalhadores contribuindo, é que a Previdência Social terá recursos para bancar as aposentadorias de todos. Por isso, é que entendemos que não é a reforma da Previdência que irá resolver o problema do país, como pregam governo e setores da sociedade.

 

Wagner da Silveira, Juca, é presidente do Sindicato dos Trabalhadores Metalúrgicos de Piracicaba e região e também do Conespi (Conselho das Entidades Sindicais de Piracicaba)