Recuperação Econômica?

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Temos ouvido pela mídia que a situação econômica do país vem melhorando e que a economia está dando sinais de recuperação, inclusive com a diminuição do número de desempregados no Brasil. É preciso ter muito cuidado com qualquer tipo de índice otimista neste momento. Particularmente no que se refere ao mundo do trabalho na indústria.

Em primeiro lugar, todos sabemos que em momentos de crise econômica, a primeira coisa a ser cortada pelas empresas são os postos de trabalho e que, em momentos de recuperação, a última questão a ser resolvida pelos empresários são novas contratações de trabalhadores. Esse quadro é recorrente através dos tempos, principalmente em um sistema econômico ultra liberal mantido pelo governo.

Em segundo lugar, é preciso avaliarmos que tipo de emprego vem sendo gerado na atual lógica do capitalismo. O desmonte dos direitos trabalhistas promovido pelo atual governo tem possibilitado ao setor patronal contratações que em hipótese alguma levam em consideração questões que vão desde salários decentes até questões de segurança e saúde no trabalho. Considerando tal ritmo de coisas, já podemos afirmar que vivemos um “salve-se quem puder” em termos de qualidade de vida para os trabalhadores brasileiros.

Com este quadro, só nos resta afirmar novamente que não existe saída individual para a classe trabalhadora ou para todos os que defendem uma sociedade mais justa.  O atual modelo está criando uma sociedade de excluídos que devem aceitar qualquer condição para garantir o pão de cada dia.

Aos sindicatos e às entidades de representação social cabe, mais do que nunca, uma postura de resistência, de informação e de organização.  Nossa função nas fábricas ou quaisquer locais de trabalho deve continuar sendo o de denunciar a triste realidade vivida nos dias atuais e o futuro sombrio que o desmonte dos direitos trabalhistas trará para nossa sociedade. Por fim nos resta perguntar, será que a recuperação econômica vale qualquer custo social ? É justo que os mais pobres ou os que geram a riqueza desse país paguem a conta de todas as crises econômicas? Certamente que não!

 

Cláudio Magrão – Secretário Geral da Federação dos Metalúrgicos do Estado de São Paulo e Vice-Presidente do Sindicato dos Metalúrgicos de Osasco e Região