O mês de fevereiro terminou como um dos mais chuvosos desde que o Posto Meteorológico instalado na Esalq/USP (Escola de Agricultura ‘Luiz de Queiroz’/Universidade de São Paulo) começou a funcionar, em 1917. Até a última quinta-feira (27), choveu 375,1 milímetros em Piracicaba. O último registro aproximado foi de 362 milímetros, há 22 anos, em 1998. Após esse ano, nenhum mês de fevereiro havia registrado mais de 300 milímetros. A média histórica registrada para o mês de fevereiro, de 1917 a 1998, é de 190 milímetros. Isso mostra que a chuva em fevereiro deste ano foi 97,3% maior que a média histórica.

Na Estação de Medição Pluviométrica Manual da Defesa Civil de Piracicaba, órgão da Prefeitura, instalado na Estação da Paulista e que funciona desde 2017, o volume foi ainda maior: chegou aos 453,5 milímetros. De acordo com o professor do Departamento de Engenharia de Biossistemas, Felipe Gustavo Pilau, é comum haver variações na mesma cidade por conta da Região onde é feita a medição e do equipamento utilizado. De acordo com dados do Posto Meteorológico da Esalq/USP, o volume de chuvas em fevereiro ultrapassou os 400 milímetros somente nos anos de 1930 (427,8 milímetros) e em 1940 (461,7 milímetros).
Intensidade
Os temporais causaram muitos transtornos ao município, como alagamentos, deslizamentos, queda de muros e de árvores e transbordamento de Ribeirões e Córregos. As enxurradas também invadiram casas e famílias perderam seus bens. Segundo o professor da Esalq, isso não aconteceria se o volume de água tivesse sido distribuído ao longo do mês, em chuvas menos intensas.
Mas houve vários períodos de chuvas de alta intensidade. No dia 6 de fevereiro, por exemplo, em 15 minutos – das 7 horas às 7h15 – choveu 28,19 milímetros. “Isso significa quase dois litros de água caindo por metro quadrado”, exemplificou Pilau. Na quarta-feira, dia 19 de fevereiro, a cidade foi surpreendida por outro temporal.
Nesse dia, em uma hora, entre às 16 horas e às 17 horas, a cidade foi atingida por um volume de 76 milímetros, segundo dados do Posto da Esalq. Já o posto da Defesa Civil registrou, no mesmo período, 93 milímetros, mais da metade da média histórica para o mês, que é de 190 milímetros. No dia seguinte, 20 de fevereiro, foram despejados mais 51 milímetros.
Força-tarefa
A Prefeitura continua com a força-tarefa para amenizar e resolver os danos causados pelas chuvas. A força-tarefa é composta por funcionários da Secretaria Municipal de Obras (Semob), Secretaria de Defesa do Meio Ambiente (Sedema), Secretaria de Agricultura e Abastecimento (Sema), Secretaria de Trânsito e Transportes (Semuttran), Semae, com auxílio da Águas do Mirante, Corpo de Bombeiros e CPFL. A coordenação é da Defesa Civil. De acordo com a Defesa Civil, os danos estão ligados a sujeira nas ruas, como lama e cascalho, entupimento de galerias de águas pluviais e de esgoto, e asfalto.
FONTE: Gazeta de Piracicaba