O Janeiro Branco é um momento simbólico e estratégico para reforçar uma pauta que precisa estar presente durante todo o ano: a saúde mental no trabalho. Para o sindicato metalúrgico, falar de saúde mental é falar de dignidade humana, de condições reais de trabalho e de respeito à vida de quem constrói diariamente a produção industrial. A campanha convida à reflexão, mas, sobretudo, reafirma o compromisso coletivo de que o trabalho não pode ser fonte permanente de medo, angústia, sofrimento ou esgotamento.

Reconhecer a saúde mental no trabalho é reconhecer a humanidade de quem trabalha. O ambiente laboral precisa ser um espaço onde as pessoas possam exercer suas atividades com segurança, respeito e sentido, sem que a pressão por metas inalcançáveis, o ritmo excessivo ou relações autoritárias adoeçam silenciosamente trabalhadores e trabalhadoras. Esse entendimento está em sintonia com o conceito de trabalho decente, defendido pela Organização Internacional do Trabalho (OIT), que compreende a dignidade humana de forma integral, considerando as dimensões física, social e emocional do trabalho.

Nos últimos dois anos, essa compreensão tem orientado ações concretas do sindicato, especialmente no fortalecimento das Comissões Internas de Prevenção de Acidentes e Assédio (CIPAA). Encontros, seminários e atividades formativas com cipeiros do setor metalúrgico ampliaram o debate sobre saúde mental e organização do trabalho, prevenção de acidentes associados ao estresse e à sobrecarga, identificação de sinais de sofrimento psíquico e o papel da CIPAA como espaço de escuta e mediação dentro das empresas. Essas iniciativas demonstram que prevenir acidentes e adoecimentos vai além do cumprimento de normas: exige diálogo, participação e olhar atento para o trabalho real.

Paralelamente às ações formativas, a atuação cotidiana do sindicato tem sido fundamental. A equipe sindical acompanha as condições de trabalho nas fábricas, orienta trabalhadores e cipeiros diante de situações de pressão excessiva, conflitos e assédio, e cobra das empresas medidas efetivas de prevenção e melhoria dos ambientes laborais. Essa presença constante fortalece vínculos, dá visibilidade aos problemas e contribui para que situações de sofrimento sejam enfrentadas antes que se transformem em adoecimentos graves, afastamentos ou acidentes.

Ao valorizar o Janeiro Branco, o sindicato reafirma que saúde mental não é uma pauta passageira, mas parte central da luta sindical. E, ao longo desses anos, tem demonstrado na prática que defender o trabalhador é garantir condições de trabalho dignas, humanas e seguras. A valorização da saúde mental, dos cipeiros e da atuação cotidiana da equipe sindical reafirma o papel histórico do sindicato metalúrgico na defesa coletiva e na construção de um trabalho verdadeiramente decente.