small_2015-04-07-0017-01A conta de energia elétrica dos piracicabanos fica mais cara a partir desta quarta-feira (8/04).

A nova correção autorizada pela Aneel (Agência Nacional de Energia Elétrica) eleva as tarifas em 4,67% em média na cidade e faz parte da revisão anual do contrato mantido com a CPFL Paulista.

A medida afeta cerca de 162 mil consumidores no município, conforme último levantamento divulgado pela concessionária.

Com a alteração, a tarifa dos consumidores residenciais fica 4,13% mais cara.

Já a conta das indústrias sobe 5,29%.

Os percentuais somam-se aos reajustes já efetuados de forma extraordinária em fevereiro, quando a tarifa foi reajustada em 31,8%, e à aplicação das bandeiras tarifárias.

O aumento da energia elétrica, afirma o coordenador do banco de dados socioeconômicos da Unimep (Universidade Metodista de Piracicaba), Francisco Crocomo, trará impactos diretos e indiretos no bolso do consumidor.

“A energia, assim como o combustível, é um dos pilares da inflação e deve ser sentida pela população tanto na própria conta de luz quanto nos produtos que serão consumidos daqui para a frente”, disse.

Ele cita que os aumentos contínuos das contas são reflexo do represamento de preços realizado em anos anteriores e afirma que não há muita alternativa para o consumidor a não ser economizar no consumo.

“Não tem outro jeito desses efeitos serem minimizados a não ser pela economia. O certo é sempre economizar, mas agora temos de vigiar ainda mais, essa é a palavra de ordem.”

Para a indústria, o novo reajuste representa um aumento de custos que não deve ser recuperado tão cedo.

“Foram 31,8% e agora mais 5,29%. Não há planejamento que resolva uma conta desse tamanho. A energia é um insumo que varia conforme o setor industrial, mas os impactos são grandes”, afirmou Homero Scarso, gerente regional do Ciesp (Centro das Indústrias do Estado de São Paulo).

Ele comenta que, em tempos de economia aquecida, esse aumento dos custos pode até ser repassado pela indústria em seu produto sem uma perda significativa de mercado.

Já na situação atual, que é de restrição de consumo, corrigir os preços se torna muito arriscado e pode trazer ainda mais prejuízos para a empresa.

A exemplo da economia doméstica, ele cita que as indústrias também podem lançar mão de alternativas para diminuir os gastos com energia elétrica, contudo, são medidas que dependem de investimentos — algumas vezes volumosos — e têm resultado de médio a longo prazos.

Ele cita a utilização de equipamentos mais eficientes, que consumam menos energia na produção, além da colocação de medidores setoriais e do trabalho fora do horário de pico como opções.

Para a população em geral, o novo reajuste significa menos tempo no banho, menos luzes acesas e menos equipamentos ligados.

“A gente já não sabe mais o que fazer, não sei mais como economizar, porque já cortei tudo o que podia. Vou tomar banho mais rápido e desligar todas as luzes de casa”, relatou a aposentada Dirce Esterdi, 67 anos.

A conta da casa em que mora com mais quatro pessoas passou de R$ 160 no ano passado para mais de R$ 220 neste ano.

“Está difícil”, disse.

A dona de casa Lúcia Cristina da Silva, 49 anos, também viu a conta passar de menos de R$ 200 para R$ 250 por mês.

“Não sei como vamos fazer daqui para a frente. Vou desligar tudo da tomada.”

Em nota, a CPFL reforçou que o reajuste autorizado pela Aneel reflete o aumento no valor da cota da CDE (Conta de Desenvolvimento Energético) em razão do fim da cobertura do Tesouro para os subsídios tarifários, entre outros fatores.