Entre 2013 e 2014, o consumo urbano de água em Piracicaba apresentou redução de aproximadamente 3%.
Enquanto há dois anos foram consumidos 26,9 milhões de metros cúbicos, ano passado foram consumidos 26,2 milhões — um metro cúbico equivale a 1.000 litros.
Os dados são do Semae (Serviço Autônomo de Água e Esgoto).
Para especialistas, apesar desta redução ter sido relevante, é necessário que a população mantenha-se conscientizada, assim como também é preciso investimento das concessionárias em infraestrutura.
A crise hídrica em 2015 já existe, disseram os especialistas ouvidos pelo Jornal de Piracicaba.
Presidente do Semae, Vlamir Schiavuzzo informou em nota que considera que a redução foi significativa, uma vez que as ligações aumentaram — em dezembro de 2013, eram 149.771 ligações enquanto em dezembro de 2014, o Semae contabilizava 153.674 ligações.
Ele ainda afirmou que atribui a diminuição do consumo às campanhas educativas e que a crise hídrica deste ano “deverá ser mais severa como reflexo da estiagem passada.”
Professora de Ecologia da Unimep (Universidade Metodista de Piracicaba), Silvia Gobbo, afirmou que foi possível perceber que algumas pessoas adotaram melhorias no dia a dia com objetivo de reduzir o consumo de água.
“Começamos o ano com menos reservas do que ano passado. O período de chuvas foi bom, mas não recuperou nossas reservas hídricas”, disse.
“Esta é a melhor época para se organizar em casa, com reparos de vazamentos, consertos gerais e quem não tem uma caixa d’água, é interessante que busque isso, porque vamos precisar.”
Silvia apontou que é preciso levar em conta o índice de perdas de água do município, de 45%.
“É importante que a população auxilie na diminuição destas perdas e avise o Semae quando encontrar qualquer vazamento ou situação de desperdício. O Semae está fazendo obras, mas é preciso que elas sejam agilizadas. O ano vai ser bastante crítico”, disse.
Como mostrou o JP em março, o Semae anunciou investimento de R$ 1,4 milhão para conter vazamentos de água na cidade e a iniciativa integra o plano de combate a perdas hídricas, que consiste na aquisição de maquinário e ampliação de mão de obra.
Apesar de prever um cenário crítico, a professora afirmou que Piracicaba ainda mantém situação melhor em relação ao abastecimento, já que a captação de água é realizada, principalmente, do rio Corumbataí.
“O trabalho deve ser feito com as cidades que estão na cabeceira do Corumbataí, para que mantenham preservadas as matas ciliares e as próprias cabeceiras, assim como realizem tratamento adequado de água e esgoto”, disse.
“Acredito que o rio Piracicaba irá sofrer novamente na parte ecológica, com nível baixo e, provavelmente, com nova mortandade de peixes. E isso prejudica a cidade.”
INVESTIMENTOS — Para o secretário-executivo do Consórcio PCJ (Consórcio Intermunicipal das Bacias dos Rios Piracicaba, Capivari e Jundiaí), Francisco Lahóz, além da economia de água, é preciso colocar um olhar também para as concessionárias já que, com a diminuição do consumo, diminui também a arrecadação.
“Estamos pedindo ao governo federal isenções fiscais e outras subvenções para essas concessionárias, pois elas precisam de recursos para enfrentar a crise.”
Lahóz afirmou ainda que o consórcio discute com as concessionárias a possibilidade de construção de reservatórios para que, no caso de interrupção de abastecimento, haja distribuição por mais algum período.
“A lição da estiagem para as concessionárias é para que elas invistam no combate ao desperdício na rede, construam reservatórios, ampliem a distribuição, entre outras medidas. Existe tecnologia para investimentos”, disse.
“A água é um bem finito, com valor econômico e a racionalização é a garantia de abastecimento. A crise da água já está instalada em 2015.”














