Os gastos com a compra dos principais alimentos, itens de higiene pessoal e limpeza pressionaram o orçamento das famílias piracicabanas ao longo do primeiro semestre deste ano.
Levantamento feito pela Ejea (Empresa Júnior de Economia e Administração) apontou que o custo da cesta básica — ICB-Esalq/Fealq — aumentou 8,22% no período, índice que supera a inflação oficial registrada pelo INPC (Índice Nacional de Preços ao Consumidor), que fechou em 6,80%.
Segundo o estudo, foi a categoria dos alimentos a que mais pesou no bolso do consumidor nos seis primeiros meses do ano, com alta acumulada de 9,30%. Os produtos de higiene pessoal e limpeza doméstica também subiram e registraram variação de 7,65% e 0,62% respectivamente.
A análise dos custos da cesta básica engloba 33 produtos diferentes e suficientes para alimentar uma família com quatro pessoas, considerando um baixo poder aquisitivo.
Para a compra de todos estes itens, o piracicabano, que gastava R$ 452,92 ao final de dezembro do ano passado, passou a gastar R$ 490,99 ao final de junho deste ano. Na média geral, a participação da alimentação na cesta chegou a 81,01%. A categoria dos produtos de limpeza veio em seguida, com 10,34% do total dos custos, enquanto a higiene pessoal somou 8,65% de participação.
Ao final do semestre, o trabalhador precisou empregar 62,3% do salário mínimo (R$ 788) para a aquisição dos suprimentos.
Entre todos os itens que compõem a cesta, foi a cebola o que mais encareceu. O preço do produto mais do que dobrou e o quilo, que podia ser adquirido a R$ 2,35 em média no final do ano passado, chegou a R$ 6,71 em média ao final de junho.
Na variação acumulada (que considera a alta e as baixas mensais), chegou a 117%. A batata foi outro alimento que também contribuiu para a disparada da cesta, com variação de 31,7%. O feijão subiu mais de 20% e as carnes, tanto de primeira quanto de segunda, tiveram altas de 10% e 19% no período. Açúcar, farinha de trigo, óleo de soja, linguiça e frango fazem parte da lista dos itens que também ficaram mais caros no semestre. Sabão em pó, detergente, papel higiênico e creme dental impactaram os setores de higiene e limpeza, com variações de até 20,74%.
Coordenador do ICB, Guilherme Sampaio, afirmou que a alta dos alimentos está relacionada a diversos fatores, entre eles o aumento de custos no campo, além de fatores climáticos como as chuvas em época de colheita.
“O preço da carne ainda sofre reflexos dos efeitos da seca do ano passado, pois o número de bezerros nos pastos diminuiu e hoje sentimos essa queda da oferta. Já outros alimentos tiveram parte da colheita prejudicada pela chuva, atrasando e perdendo volume de produção. Também tivemos alta da energia elétrica e aumento dos insumos, com alta do dólar, o que acaba sendo repassado de alguma forma ao consumidor”, afirmou.
Ele citou também que os gastos com os itens básicos de alimentação e higiene estão cada vez mais altos, fazendo com que o trabalhador deixe uma parte cada vez maior de seus rendimentos para se alimentar. Enquanto os preços não param de subir, resta ao consumidor pesquisar antes de ir às compras.
“Senti muita diferença de preços, tudo está muito caro, batata, cebola, feijão. Faz tempo que não faço aquela compra de mês, vou comprando um pouco em cada lugar, pesquisando as ofertas”, disse a empresária Ivani Zanini, 57 anos.
A professora aposentada Angela Maria Bocca Castiglioni, 62 anos, também aposta na pesquisa para economizar. “Como aposentada, eu não tive aumento, mas as coisas, em compensação, só sobem. Eu tento aproveitar as promoções, vou comprando o que está com preço bom.”















