Crises econômicas causam tensão e insegurança em ambientes de trabalho. Afinal, em fases como esta, funcionários convivem num cenário de instabilidade e ficam mais sujeitos à demissão. Consequentemente, o desempenho deles corre risco de queda, assim como a produtividade da empresa.
Mas ninguém quer prejuízo. Então, há a necessidade de um comportamento adequado à situação atual para ambos os lados permanecerem em alta. O momento exige foco do empregado, para que ele não seja afetado psicologicamente pela crise e execute o serviço da melhor maneira possível.
“É um momento de autorreflexão do próprio colaborador em relação ao trabalho, sobre a maneira como está executando suas tarefas, buscando soluções que a empresa precisa e também avaliar suas atitudes no local de trabalho, por exemplo, como está o seu relacionamento interpessoal, suas ações colaborativas e sua motivação”, disse o coordenador do curso de gestão de recursos humanos da Unimep (Universidade Metodista de Piracicaba), Emilio Amstalden (foto).
Para a consultora em educação corporativa e coach Eni Santos, cinco atitudes devem ser evitadas pelo funcionário no ambiente de trabalho, principalmente neste período de turbulência em que o Brasil se encontra: reclamar de tudo e de todos, trabalhar com medo do que possa vir a acontecer, tomar decisões precipitadas, ficar estagnado e descuidar da carreira.
Eni destacou que, se o empregado não tomar nenhuma dessas atitudes, ele possui mais chance de se consolidar em sua trajetória profissional. “Há profissionais que sucumbem à crise e outros que fazem dela um aprendizado e se tornam ainda mais preparados”, afirmou a consultora, que também leciona em cursos de pós-graduação.
A motivação é outro fator essencial ao rendimento do colaborador. Portanto, Amstalden revelou formas de conservá-la mesmo diante de uma crise econômica. “Em momentos de incerteza de emprego e quando sua motivação parece oscilar, direcionar a mente para o momento presente, viver um dia de cada vez, viver o hoje, ajudará bastante a reduzir ansiedades, irritações, enfim, o medo decorrente de incertezas quanto ao futuro da empresa e do seu emprego”.
EMPRESA — De acordo com o docente, a missão de manter a motivação do funcionário também cabe à própria empresa. “Cuidar do desempenho de seus colaboradores e também da motivação em geral é tarefa para uma gestão estratégica de pessoas”.
Demonstrar clareza aos colaboradores surge como a principal arma da instituição para fazer com que eles saibam de suas reais condições e trabalhem com menos dúvidas com relação a seu futuro. “A primeira ação da empresa em relação a seus colaboradores, considerando uma situação econômica desfavorável aos negócios, oriunda de um cenário político-econômico geral, é a transparência. Tal atitude gera uma relação de confiança, pois que se compartilha responsabilidades e abre espaço para o engajamento de todos. Isso, certamente, contribui para um clima de redução de incertezas e traz à consciência de todos os riscos a que estão expostos”, informou Amstalden.
Segundo ele, o desempenho do trabalhador depende, inclusive, de como a instituição se comporta perante os problemas do mercado. “Em um ambiente de trabalho de incerteza quanto ao emprego pode influenciar o desempenho de seus colaboradores. Se positivo ou negativo, vai depender muito da maneira como a empresa conduz suas dificuldades frente ao mercado junto com seus colaboradores”.
Porém, também há outros aspectos que interferem no rendimento do empregado. “O desempenho de pessoas sempre foi e é um desafio para todas as áreas, profissões, organizações. Vários fatores de ordem interna à empresa e de ordem externa também interferem no desempenho dos funcionários. Por outro lado, fatores internos do próprio indivíduo, que podemos, de maneira geral, entender como a maneira que ele percebe e reage aos estímulos externos, também influenciam sobremaneira no seu desempenho”.
Amstalden ainda contou quais providências podem ser tomadas pela área de recursos humanos nesse contexto. “A área de RH tem um papel importante no sentido de traçar algumas ações estratégicas que minimizem impactos da forte queda de demanda do mercado aos negócios da empresa, que, como consequência, resulta em demissão de funcionários”, relatou.















