A geração de emprego com carteira de trabalho assinada em Piracicaba ficou negativa em julho, mostrou o Caged (Cadastro Geral de Empregados de Desempregados) do Ministério do Trabalho.

A cidade cortou 629 postos no mês passado, saldo entre o volume de 3.639 admitidos e 4.268 demitidos.

O resultado é o pior já apurado para o período desde 2003, início da série histórica do cadastro.

Conforme o balanço, desde janeiro, já houve perda de 932 vagas de trabalho formal no município.

No acumulado de um ano, a situação é ainda mais crítica: foram 4.347 postos de trabalho fechados — um enxugamento de 3,38% do quadro total de assalariados em Piracicaba.

“Estamos batendo recordes negativos do emprego. O saldo está negativo no mês, no acumulado do ano e nos últimos 12 meses, isso mostra que há um desaquecimento forte e não temos expectativa de mudanças tão cedo”, afirmou Francisco Crocomo, coordenador do banco de dados socioeconômicos da Unimep (Universidade Metodista de Piracicaba).

Ele comentou que o saldo negativo em julho já era esperado e lembrou que, em junho, a cidade já havia cortado 1.134 vagas de trabalho com carteira assinada.

“Um saldo menos ruim, digamos assim, é sempre melhor, mas a expectativa não era de que em julho as contratações superassem as demissões. Esperamos saldo negativo para o mês que vem também, só não sabemos quão negativo ele será”, disse.

Além da indústria de transformação, que vem efetuando demissões sequenciais há mais de um ano, no mês de julho, o setor de serviços, o comércio, a construção civil e a agricultura engrossaram o volume de dispensas na cidade.

Apenas a administração pública, a extrativa mineral e os serviços industriais de utilidade pública ficaram com saldo positivo.

A situação de demissão na maior parte dos setores, é claro, complica a recolocação do trabalhador no mercado.

“Antes, quem saia da indústria, acabava se recolocando no comércio ou no setor de serviços, o que fica mais difícil agora. Por outro lado, muita gente também acaba buscando uma requalificação e tendo mais chances de voltar ao mercado.”

O coordenador do banco de dados lembrou que alguns trabalhadores também podem ter se recolocado no mercado de outras cidades próximas, como Iracemápolis, por exemplo, que em breve terá uma indústria automotiva e já realizou algumas contratações.

Ao contrário de Piracicaba, o município vizinho registra saldo positivo de emprego, inclusive na indústria de transformação, que desde janeiro já gerou 243 vagas.

Crocomo apontou ainda que, medidas recentemente anunciadas pelo governo — como a liberação de crédito para o setor automotivo — deve trazer reflexos em breve para o mercado, contribuindo para que haja uma diminuição no ritmo de dispensas.

NÚMEROS — Durante o mês de julho, a indústria de transformação eliminou 356 vagas em Piracicaba, seguida pelo setor de serviços, que fechou 176 postos com carteira assinada.

O comércio também demitiu mais que admitiu, encerrando o período com saldo negativo em 159 vagas.

A agricultura, por sua vez, registrou 34 cortes.

No ano passado, julho já havia registrado saldo negativo em 83 vagas.

 

 

FONTE: Jornal de Piracicaba