Com o orçamento mais apertado, o consumidor piracicabano tem buscado mais ofertas, reduzido a quantidade de itens e trocado de marcas para economizar na hora das compras.

A mudança de comportamento tem sido a saída encontrada pela maioria quando a inflação para os alimentos anda em alta — passa de 10% nos últimos 12 meses, segundo o IPCA (Índice de Preços ao Consumidor Amplo) — e se soma à queda na renda média devida ao desemprego, à alta dos juros e à valorização do dólar, que também pressiona a inflação.

“Está muito complicado para o consumidor, porque a gente precisa de tudo e tudo está caro. Tenho trocado de marca, levado menos coisas para casa, mas a cesta básica aumentou demais”, disse a dona de casa Elisângela Domingues, 38.

Ela comentou que mudou a marca do sabão em pó e reduziu a compra de hortifrutis principalmente. “Antes levava dois quilos de batata, agora levo um. Às vezes uma diferença de R$ 1 é pequena, mas já ajuda.”

A aposentada Leonor Casagrande, 81, também tem levado menos itens nas compras. “Refresco eu diminui a quantidade, carne compro de pouquinho. Senti muito o aumento dos preços, o material de limpeza, então, subiu demais.”

Com a microempreendedora Lourdes da Silva, 56, a situação é a mesma. “Cortei algumas coisas e faço compras pequenas, procurando as promoções. Comparo muitos os preços, agora mais do que nunca.”

E a mudança nos hábitos dos consumidores foi bastante sentida pelo comércio. O gerente de supermercado, Alexandre Martins, disse que a venda de produtos matinais e de alguns itens de padaria, como doces e salgados, caiu. Em geral, itens considerados supérfluos tiveram redução de 10% a 12% nas vendas. “O consumidor tem tido mais controle na hora das compras, tem levado só o necessário.”

Para driblar essa mudança, a unidade também alterou as estratégias. Passou a oferecer mais promoções nos itens básicos, como o leite por exemplo. Desta forma, anotou até aumento de vendas no setor. Nas carnes, mais mudanças. A comerciante Débora Ubisses Puga disse que a queda nas vendas gira em torno de 30% desde junho.

“Notamos que o consumidor que antes levava cortes mais nobres, tem buscado cortes mais baratos. Quem levava bife, agora leva carne de panela. Quem não consegue acompanhar, tem pulado alguns dias de carne no cardápio.”

O professor de ciências econômicas da Unimep (Universidade Metodista de Piracicaba), Ivens de Oliveira, afirma que a mudança de hábitos é natural diante desta nova realidade. A recomendação é que o consumidor pesquise e vá ao supermercado com uma lista do que é realmente necessário. Comprar em pequenas quantidades em vez de fazer compras volumosas também é válido neste período.

 

 

FONTE: Jornal de Piracicaba