
Diante de uma conjuntura econômica global mais complicada e de um mercado mais competitivo, as exportações de Piracicaba têm recuado seguidamente e devem encerrar 2015 no menor patamar em mais de uma década, se equiparando às de 2004, que foram de US$ 1,2 bilhão.
Neste ano, de janeiro até outubro, a remessa de produtos da cidade ao exterior alcançou US$ 1,075 bilhão, volume que também é 27,11% menor que o registrado no mesmo período do ano passado, quando havia sido negociado US$ 1,475 bilhão — uma diferença monetária de US$ 400 milhões.
Os números são computados pelo Mdic (Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior).
“As exportações deste ano devem voltar ao patamar das registradas mais de dez anos atrás, o que não é uma situação boa. As importações também diminuíram para o patamar de quatro, cinco anos atrás e só não recuaram mais devido à presença da Hyundai, que se instalou alguns há alguns anos na cidade”, informou Cristiano Morini, pesquisador e professor do curso de Administração da Unicamp (Universidade de Campinas).
De acordo com ele, o Brasil, de forma geral, perdeu muito mercado na América Latina e também nos Estados Unidos, dois importantes polos compradores da mercadoria piracicabana.
“A ‘conquista’ de novos mercados, como Turquia e Arábia Saudita salvaram um pouco nosso resultado, mas ainda assim, a situação é complicada”, disse.
Segundo o pesquisador, a conjuntura econômica internacional e o aumento da concorrência dos países asiáticos — sobretudo dos chineses — vem dificultando o embarque das mercadorias produzidas por aqui. Uma das saídas para o país, ele afirmou, seria fazer acordos comerciais, porém, a tendência de isolamento é cada vez maior.
“O Brasil tem de tentar fazer acordos fora do Mercosul, do contrário, a situação não vai melhorar. Independente da conjuntura econômica, essa é a nossa lição de casa”, disse.
Em esfera local, Morini citou que os empresários e o poder público devem promover pressão em órgãos como a CNI (Confederação Nacional da Indústria), para que essas organizações, por sua vez, também pressionem o governo a assinar acordos comerciais.
O pesquisador ressaltou que a dependência de Piracicaba quanto às exportações é grande, já que a cidade comercializa produtos de alta tecnologia e valor agregado, como niveladoras, escavadoras e máquinas agrícolas.
“É uma dependência alta, a maior entre as cidades da região, principalmente por causa da Caterpillar, que exporta produtos de alto valor agregado. A exportação gera emprego e atrai investimentos para a cidade, movimentando a economia local.”
No mês passado, a remessa de produtos ao exterior chegou a US$ 106,8 milhões, uma redução de 8,49% com relação ao registrado em setembro, que foi de US$ 116,7 milhões.
Já as importações alcançaram patamar de US$ 130 milhões, uma alta de quase 21% em comparação a setembro, que teve importação de US$ 23,8 milhões.
















