Desde o começo do ano, por dia, cerca de 12 metalúrgicos perderam seus empregos nas indústrias de Piracicaba e em pequenas cidades da região. Levantamento feito pelo Sindicato dos Metalúrgicos a pedido do Jornal de Piracicaba aponta que, de janeiro a outubro, 3.532 trabalhadores foram demitidos no setor. Todos os casos são relacionados a profissionais com mais de um ano de registro em carteira. Ainda que o volume de rescisões seja considerável, é 39% inferior ao registrado no mesmo período do ano passado, quando 5.827 metalúrgicos foram demitidos, equivalente a 21 por dia. Ao longo de 2015, foram 6.400 baixas no setor metalúrgico.

A redução nas demissões foi atribuída, entre outros fatores, aos acordos firmados pelo Sindicato dos Metalúrgicos com as empresas com o objetivo de coibir os cortes. “O sindicato intermediou diversas negociações visando sempre preservar os empregos. As principais ferramentas foram o PPE (Programa de Proteção ao Emprego), mas tivemos também acordos de lay-off e aqueles feitos com base nos bancos de hora dos trabalhadores. Fizemos tudo o que estava ao nosso alcance para frear as demissões e é bom ver que tem dado resultado”, afirmou José Florêncio da Silva, o Bahia, presidente do Sindicato dos Metalúrgicos de Piracicaba.

Segundo o líder sindical, todos os segmentos da indústria metalúrgica foram afetados e tiveram dispensas, porém, já é possível notar o começo da reação em alguns segmentos. “No setor sucroalcooleiro as demissões diminuíram, inclusive algumas que produzem maquinário para as usinas voltaram a contratar. Isso acontece porque as empresas que trabalham com açúcar e álcool enfrentam duas realidades, uma na safra e outra na entressafra. Durante a safra não se fabrica nada porque as usinas estão trabalhando, mas quando a safra termina, as usinas reformam ou trocam alguns equipamentos, é quando volta a ter serviço para as metalúrgicas”, disse.

De forma geral, as empresas estão cumprindo com suas obrigações para com os trabalhadores demitidos. “Os empresários estão honrando com o compromisso firmado sem contratempos, inclusive aqueles que procuraram o sindicato e fizeram acordos, como parcelamentos, estão pagando corretamente”, afirmou. Bahia disse acreditar que em 2017 o setor das indústrias metalúrgicas voltará a crescer. “Nossa expectativa é que as empresas voltem a contratar. Noto que as empresas do setor estão mais confiantes nisso, o que é positivo, porque o aumento da carteira de clientes representa contratações, justamente o que mais precisamos, porque boa parte dos trabalhadores que foram demitidos permanece desempregada”, afirmou.

De acordo com Bahia, a maior parte dos trabalhadores demitidos enfrenta dificuldade para conseguir se recolocar no segmento devido à crise econômica. “Por mais que as demissões tenham diminuído na comparação com o ano passado, ainda é algo que nos preocupa. Acredito que o pior da crise já passou e os números começam a estabilizar. Na realidade, sabemos que não tem mais quem ser mandado embora e que as empresas já estão no limite e, principalmente no caso das pequenas. Ou elas mantém o pessoal ou fecham as portas. Enfim, até que a poeira assente e volte a ter crescimento, ainda vai um longo tempo”, disse o líder sindical.

 

 

FONTE: Jornal de Piracicaba