A receita da indústria brasileira de máquinas e equipamentos continua em níveis muito reduzidos. Em janeiro último, na comparação com dezembro, houve um recuo de 19%. Esse resultado é similar ao mês inicial de 2016, quando ocorreu o pior número deste mês na série histórica. A avaliação é da Associação Brasileira da Indústria de Máquinas e Equipamentos (Abimaq), que apresentou, nesta quarta-feira (22), em São Paulo (SP), os números de janeiro de 2017.
Dirigente-regional da Associação em Piracicaba, José Antônio Basso aponta um cenário de dificuldades. “As melhorias citadas pelo governo não chegaram às negociações entre as empresas. Muitas vezes vendas são fechadas somente para que se gere caixa voltado às despesas imediatas, como a folha de pagamentos”, disse Basso.
Medidas de incentivo anunciadas pelo governo esbarram na aplicação, em função de itens como a burocracia e os altos custos financeiros. “O início de ano está mais difícil do que foi o último trimestre de 2016”, avaliou Basso. Essa indefinição também freia os investimentos, medidos pelo consumo aparente de máquinas. Em janeiro a redução foi de 2,6% ante dezembro. No resultado inter-anual (janeiro do ano passado), a queda atingiu 18,2%.
“Mesmo se a economia voltar a crescer, a Indústria de máquinas e equipamentos deve ser a última a sentir a melhoria. Hoje em dia, os investimentos produtivos estão sendo adiados”, afirma José Velloso, presidente-executivo da entidade.
O real valorizado e as altas taxas de juros prejudicam o setor. O nível de utilização da capacidade instalada apresentou em janeiro alta de 8,1%, na inter-anual. Mas a produção ainda segue parada em pelo menos uma a cada três horas da jornada diária. A carteira de pedidos, medida em meses para atendimento, apresentou o pior resultado da série histórica iniciada em 1999, com 2,2 meses em janeiro. Em 2010, havia pedidos para pelo menos cinco meses.
A Indústria brasileira de máquinas demitiu 18,9 mil pessoas em um ano. “São empregos qualificados, com salários mais altos”, avalia Basso.
Conteúdo local
O cenário pode piorar se o governo alterar a cartilha sobre o Conteúdo Local na indústria de óleo e gás. A Abimaq é contrária às mudanças, que prejudicariam pelo menos 800 produtoras de equipamentos, que atendem a Petrobrás. Na região, há fabricantes de bombas e válvulas. “Conteúdo local não é subsídio ou reserva de mercado. É ampliar o valor agregado na cadeia produtiva, para não dependermos só do petróleo extraído”, afirmou Velloso.
A discussão passa pelo segmento de máquinas agrícolas, um dos poucos setores da Abimaq que prevê alta nos negócios em 2017. “Sem uma Indústria de máquinas voltada para a Agricultura, vamos produzir grãos, por exemplo, e embarcar no porto para que seja processado em outro país”, comparou José Antônio Basso. Para Velloso, o governo precisa sinalizar o que virá após as reformas serem aprovadas no Congresso.
FONTE: Gazeta de Piracicaba















