Em Piracicaba, o movimento grevista dos carteiros atinge de 60% a 70% da categoria, informa o Sindicato dos Trabalhadores dos Correios de Campinas e Região (SintectCas). Segundo Emerson Marcelo Vieira, diretor do Sindicato dos Trabalhadores dos Correios de Campinas e Região (SintectCas), nesta quinta-feira (21), os Correios entraram com pedido de instauração de dissídio coletivo no Tribunal Superior do Trabalho (TST), em Brasília.
Iniciada na última terça-feira (19), a paralisação nacional já atinge 20 Estados. Em Piracicaba, atuam aproximadamente 200 carteiros, que realizam entregas a pé, com motocicletas e veículos (vans e outros). “Em Piracicaba, tivemos a ampliação do número de grevistas. No primeiro dia da paralisação eram cerca de 100, mas agora esse número engloba de 130 a 140 carteiros”, estima Vieira.
Os trabalhadores que cruzaram os braços são aqueles que atuam nas unidades próprias da empresa estatal. No caso de Piracicaba, são funcionários empregados de três centros de distribuição domiciliária, um centro de entrega de encomendas e a agência instalada na avenida Armando de Salles Oliveira. As unidades franqueadas não aderiram à greve.
“Nas agências, a população até consegue fazer a postagem de correspondências e encomendas, mas com certeza a entrega está comprometida”, afirma Vieira.
Segundo levantamento da empresa estatal, realizado na manhã desta quinta, “91,65% do efetivo total dos Correios no Brasil está presente e trabalhando – o que corresponde a 99.504 empregados. No Interior de São Paulo, 90% do efetivo está presente e trabalhando – o que corresponde a 10 mil empregados”.
De acordo com o sindicalista, a questão salarial (aumento de 8%) não é centro das reivindicações. “Na verdade, estamos lutando pela manutenção de direitos conquistados há muito tempo, direitos estes que, aos poucos, a empresa está tentando nos tirar por conta dessa Reforma Trabalhista. Estamos resistindo a esses ataques sucessivos e contra a tentativa de privatização dos Correios”, afirma.
Segundo Vieira, empresa quer implantar mudanças como a desobrigação de fornecer refeitórios para os trabalhadores e a retirada do vale-alimentação, entre outras. “No caso do vale-alimentação, que gira em torno de R$ 900,00, ele é o complemento do salário base do carteiro, cuja média é de R$ 1,5 mil a R$ 1,6 mil. Esse é o menor piso salarial entre as estatais do Brasil”, diz.
Com o pedido de dissídio no TST, diz Vieira, agora deverão ser realizadas tentativas de conciliação entre as partes.
Resposta dos Correios
Em nota, a empresa informa que “a direção dos Correios e representantes da Federação Interestadual dos Sindicatos dos Trabalhadores e Trabalhadoras dos Correios (Findect) continuam em negociação para a assinatura do Acordo Coletivo de Trabalho”. Nesta quinta-feira, seriam apresentadas as propostas econômicas para discussão com os Sindicatos.
Segundo a assessoria de imprensa dos Correios, as tratativas com a categoria prosseguem apesar da Federação Nacional dos Trabalhadores em Empresas de Correios e Telégrafos e Similares (Fentect) ter desistido das negociações e iniciado a paralisação nas bases de seus Sindicatos filiados. Nas localidades onde há paralisação, “a empresa já colocou em prática seu Plano de Continuidade de Negócios para minimizar os impactos à população”.
No comunicado, os Correios reiteram sua “disposição para negociar e dialogar com os sindicatos que não aderiram à paralisação para que o acordo coletivo seja assinado”. A empresa diz que “considera a greve por parte de alguns Sindicatos um ato irresponsável e unilateral, que desqualifica o processo de negociação e prejudica o esforço realizado por todos os empregados durante este ano para retomar a qualidade e os resultados financeiros da empresa”.
“A atitude desses Sindicatos coloca em risco a qualidade dos serviços prestados aos clientes e à população brasileira e torna ainda mais grave a atual situação dos Correios. A paralisação, ainda que parcial, acarreta um potencial de perda de receitas e de pagamento de indenizações que onera os cofres da estatal”, diz o comunicado oficial.
FONTE: Gazeta de Piracicaba














