
Os pagamentos de seguro-desemprego efetuados em Piracicaba chegaram a R$ 62,3 milhões nos oito primeiros meses deste ano, uma alta de 11,6% com relação ao mesmo período do ano passado, quando foram sacados em torno de R$ 55,8 milhões na cidade.
Os dados foram levantados pela Caixa Econômica Federal a pedido do Jornal de Piracicaba.
Segundo os indicadores, entre janeiro e agosto deste ano, foram registradas 61.307 operações de pagamento do benefício, o que representa uma média de R$ 7,78 milhões ao mês.
Cada trabalhador com direito ao seguro-desemprego teria recebido, na média, R$ 1.016 em cada parcela. Já no mesmo período do ano passado, a Caixa havia realizado 59,1 mil pagamentos, com uma média de R$ 943 para cada trabalhador.
Lembrando que o valor do benefício e a quantidade de meses para saque varia segundo cálculos específicos do Ministério do Trabalho.
O aumento tanto no número de saques quanto nos valores pagos são reflexos das dificuldades econômicas sentidas principalmente pela indústria da cidade, explicou o coordenador do banco de dados socioeconômicos do curso de Ciências Econômicas da Unimep (Universidade Metodista de Piracicaba), Francisco Constantino Crocomo.
“Os números refletem que a quantidade de pessoas que tem se recolocado no mercado de trabalho diminuiu em relação a 2013. Nós tivemos mais trabalhadores dispensados ao longo desses primeiros meses de 2014 e, ao mesmo tempo, a volta desses profissionais ao mercado tem sido mais demorada que nos anos anteriores”, disse.
Ele ressaltou que, conforme o Caged (Cadastro Geral de Empregados e Desempregados), o saldo do emprego no ano passado era muito melhor que neste ano. Entre janeiro e agosto de 2013 a cidade havia gerado 5.000 novas vagas, enquanto no acumulado deste ano, apenas 1.800 mil foram criadas.
Crocomo considerou que o aumento no valor dos benefícios pagos está relacionado ainda a outras duas situações. A primeira delas é a correção do salário mínimo de 2013 para 2014 (base do seguro-desemprego), o que elevou em média 6,5% os valores pagos.
A outra é o aumento das demissões na indústria, que tem um salário mais alto se comparado a outros setores da economia, o que influi no cálculo das parcelas.
O gerente regional do Ministério do Trabalho, Antenor Varolla, destacou a importância do seguro-desemprego para os trabalhadores, até que eles tenham a oportunidade de se recolocar no mercado.
Ele também ressaltou as novas regras que preveem a qualificação profissional (obrigatória para trabalhadores que solicitarem duas vezes o benefício em um período inferior a dez anos). Pelas regras atuais, o trabalhador com carteira assinada há mais de seis meses e dispensado sem justa causa, têm até 120 dias para requerer o seguro, o que deve ser feito com base em um formulário entregue pela empresa que o dispensou.
O interessado pode receber entre um salário mínimo (R$ 724) e um teto de R$ 1.304, conforme a média salarial em carteira.
Os trabalhadores com registro entre seis meses e onze meses têm direito a três parcelas do benefício, enquanto os profissionais com tempo de atuação entre 12 e 23 meses na mesma empresa recebem quatro parcelas. Acima disso, são pagas cinco parcelas do benefício.
















