Até a última sexta-feira (21), a cidade registrou 1.642 casos de dengue, informou o mais recente balanço divulgado pela Secretaria Municipal de Saúde (SMS) de Piracicaba. Apesar da expectativa de recuo das estatísticas nesta época do ano, devido à queda das temperaturas e o fim da temporada de chuvas, a cada nova atualização a dengue mostra sua força. Para o médico infectologista, Hamilton Bonilha, uma possível explicação para isso é o Fenômeno El Niño, que provoca impactos no clima, favorecendo, assim, a proliferação do Aedes aegypti.
“A manutenção do aumento da infestação do Aedes aegypti, que está ocorrendo nesta época do ano, deve estar acontecendo pelo Fenômeno El Niño, que provoca o aquecimento das águas do Oceano Pacífico e reflexos na Climatologia. Portanto, esse aumento de casos de dengue desde o início do ano no Estado de São Paulo pode se agravar no próximo Verão, ou seja, no final de 2019 e início de 2020”, alertou Bonilha.
O infectologista explicou que o fato de o El Niño deixar a atmosfera mais quente, devido à maior evaporação do ar e à vigência das chuvas, aceleram a reprodução dos mosquitos. “Em 2015 e 2016 a epidemia de dengue também pode estar relacionada ao El Niño, que começou em 2014 e durou dois anos”, observou.
“Este Fenômeno propicia um Inverno e um outono mais úmidos, com chuvas mais frequentes e temperaturas mais altas, facilitando a proliferação do mosquito. Assim, eliminar os criadouros domésticos como água parada é fundamental no controle da doença”, afirmou o médico, que é diretor do Departamento Regional de Saúde (DRS-10) e do Instituto de Vacinação e Infectologia de Piracicaba (Ivip).
Logo após a primeira dezena de abril, quando a cidade contabilizava 290 casos de dengue, o infectologista foi entrevistado pela Gazeta e, na ocasião, afirmou que o número já caracterizava “uma epidemia em nosso município”.
De acordo com dados da Vigilância Epidemiológica (VE) da Secretaria de Estado da Saúde, entre janeiro e maio desde ano o número de casos diagnosticados de dengue em Piracicaba evoluiu da seguinte maneira: janeiro (12 casos); fevereiro (61); março (268); abril (715); e maio (491).
Ações municipais
Apesar do avanço das estatísticas da doença, a SMS informou que “por meio do Programa Municipal de Combate à Dengue (PMCA) que trabalha 365 dias no combate ao Aedes, mosquito transmissor da dengue, zika e chikungunya”.
A Secretaria Municipal salientou que intensifica as ações de combate à dengue principalmente no segundo semestre, “para que, no período de Verão, quando a proliferação do mosquito aumenta, devido ao calor e à umidade, haja no município o menor número de criadouros possível”.
As ações preventivas, disse a Pasta, incluem Arrastões, entradas forçadas em imóveis com criadouros do Aedes aegypti, campanhas de conscientização e a distribuição de panfletos informativos, entre outras. A SMS informou que as nebulizações/dedetizações ocorrem em áreas da cidade onde houve a confirmações de casos de dengue.
Já o Projeto ‘Aedes do Bem’ – mosquito transgênico que foi introduzido no município em 2015, a partir de contrato firmado entre a Prefeitura e a empresa de Biotecnologia Oxitec Brasil – está em sua fase final e, pelo menos neste momento, não há previsão de retomada do mesmo. A soltura de insetos nos bairros já foi encerrada em junho do ano passado.
“Hoje em dia, a Oxitec realiza apenas o monitoramento (dos insetos transgênicos) no bairro Cecap e na Região Central, que consiste na colocação de armadilhas e na emissão de relatórios periódicos sobre o grau de infestação do Aedes, o que orienta as ações convencionais. Mas a soltura dos mosquitos geneticamente modificados só será possível se for firmada alguma parceria com o governo federal, envolvendo outros municípios do País”, informou a SMS.
FONTE: Gazeta de Piracicaba















